
Benchmark Beaver mostra que LLMs vão mal em text-to-SQL do mundo real
O problema dos benchmarks de text-to-SQL
Michael Stonebraker (Turing Award 2014) e Peter Baile Chen, ambos do MIT, argumentam que os benchmarks públicos de text-to-SQL - como Spider e Bird-SQL - não refletem a realidade dos data warehouses corporativos. Embora esses benchmarks mostrem acurácia de 80-90%+, eles sofrem de quatro problemas fundamentais:
- Dados públicos: os datasets estão disponíveis na internet, então LLMs podem ter sido treinados neles. Data warehouses reais ficam atrás de controles de acesso corporativos.
- Schema rot: esquemas de data warehouses reais se degradam com o tempo - nomes de tabelas e colunas ficam não-intuitivos, colunas com nomes iguais têm semânticas diferentes e não documentadas, e views materializadas criam múltiplos caminhos para resolver uma query.
- Dados idiossincráticos: informações específicas da organização (como "J-term" no MIT ou prédios identificados por número) são difíceis para LLMs.
- Queries complexas: queries reais raramente têm apenas um join; frequentemente têm dois ou três.
Spider 2.0 resolveu o último problema, mas não os três primeiros.
O benchmark Beaver
Os autores passaram dois anos testando LLMs em workloads reais de data warehouses, começando com o data warehouse do MIT (Oracle, 1.400+ tabelas). Extraíram queries reais dos logs, geraram as perguntas em linguagem natural com ajuda dos usuários reais, e depois aplicaram a metodologia a outros três data warehouses. O resultado é o benchmark Beaver, que apresenta todos os quatro problemas acima.
Os resultados são drásticos:
- LLM puro: acurácia de zero.
- Com RAG, prompt engineering e agentic AI: acurácia na faixa de 10%+.
- Fornecendo ao LLM as tabelas corretas e as cláusulas de join: acurácia na faixa de 30%+.
Isso representa uma queda de mais de 50 pontos percentuais em relação aos benchmarks públicos - a diferença entre "a tecnologia tem potencial" e "a tecnologia não funciona".
Conclusão
Os autores concluem que bons resultados com LLMs/agentic AI em text-to-SQL só são prováveis em data warehouses com esquemas limpos, queries simples e poucos dados idiossincráticos. Para o mundo real, eles apontam para o sistema Rubicon como uma abordagem alternativa e disponibilizam o Beaver publicamente para estimular a comunidade a encontrar soluções melhores.