
Skill /no-ai-slop remove mais de 20 padrões de escrita de IA
O que é o /no-ai-slop
Peter Yang (autor da newsletter Creator Economy) open-sourcou uma "skill" chamada /no-ai-slop, disponível gratuitamente no GitHub. Ela identifica e remove mais de 20 padrões típicos de texto gerado por IA - o que ele chama de "AI slop". A skill pode ser instalada em ferramentas como Codex e Claude Code e usada de três formas: editar um texto removendo os padrões, detectar se um texto contém slop, ou gerar slop propositalmente como sátira.
Os padrões detectados
Entre os padrões que a skill remove estão:
- Contrastes binários - "Não é X. É Y."
- Aberturas de "limpar a garganta" - "Here's the thing", "Let me be clear"
- Falsos insights - "O que ninguém te conta", "A parte que todos ignoram"
- Revelações com dois-pontos - "A melhor parte: ele aprende."
- Fragmentos dramáticos - "É isso. É a coisa toda."
- Análise superficial - "destacando o compromisso da equipe com a inovação"
- Inflação de importância - "marca um momento pivotal", "um testemunho de"
- Atribuição vaga - "especialistas concordam", "estudos mostram"
- Ciclo de sinônimos - "O agente cuida do seu e-mail. O assistente redige respostas."
- Finais pseudo-profundos - "O futuro não está chegando. Já está aqui."
Yang afirma que mesmo modelos avançados (cita Fable 5 e GPT-5.6) ainda produzem a maioria desses padrões.
A regra 25/50/25
Yang propõe um processo de escrita em três fases:
- Primeiros 25%: rascunho inicial feito por ditado de voz ou escrita manual, sem IA.
- 50% do meio: uso de IA (incluindo a skill /no-ai-slop) para limpar gramática, melhorar clareza e estrutura.
- Últimos 25%: revisão manual, linha por linha, sem IA.
Ele argumenta que a diferença entre quem produz slop e quem produz conteúdo de qualidade está em se importar com os primeiros e últimos 25%. O mesmo princípio se aplica a desenvolvimento de software com IA: a IA escreve a maior parte do código, mas o gosto humano define os requisitos e valida o resultado.
O lado sombrio
Yang reconhece que a tentação de delegar tudo à IA é constante: é mais fácil dar feedback à IA do que editar manualmente; ferramentas como Codex e Claude Code parecem desencorajar edições manuais; e ele mesmo admite ter ficado preguiçoso para escrever sem IA disponível (ex: em voos longos). Ele também observa que publicar slop em volume pode gerar resultados reais - alguns criadores publicam 10 posts de IA por hora e ganham seguidores e receita. Porém, argumenta que quem entende de IA reconhece o slop de longe, e que um post pode performar bem enquanto destrói confiança com as pessoas cujo julgamento importa. Cita como exemplos o hack da conta de Brian Chesky (leitores identificaram o texto como IA antes da confirmação do hack) e uma carta de Alex Cohen a seus funcionários sobre como slop transfere carga injusta ao leitor.
Yang conclui que não vai voltar a editar tudo manualmente, mas também não quer perder a capacidade de pensar e construir frases sem Wi-Fi. Confiança, diz ele, é o único ativo durável que todos temos.