
Unitree apresenta mecha-gigante GD01 de 3 metros e meia tonelada
O GD01 e a aposta no mecha gigante
Wang Xingxing, fundador e CEO da Unitree Robotics, revelou com exclusividade à TIME o GD01 - um robô mecha de 3 metros de altura e meia tonelada, com cockpit no torso para transportar um piloto humano. O robô anda sobre duas ou quatro pernas, possui punhos capazes de derrubar paredes e usa articulações de titânio com carcaça de fibra de carbono. Wang conta que a inspiração veio de lutas de UFC e do filme Avatar, de James Cameron. O preço de varejo: US$ 650 mil.
A Unitree como líder de volume
Fundada em 2016, quando Wang tinha 26 anos, a Unitree despachou mais de 5.500 unidades em 2025 - mais de um quarto do mercado global de humanoides. A empresa reduziu o preço do seu G1 de US$ 16 mil para US$ 13.500 em 18 meses, e o modelo R1 já custa menos de US$ 5 mil. Os robôs-cães caíram de US$ 45 mil para menos de US$ 2 mil em seis anos. A estratégia: controlar componentes-chave (atuadores representam 50-70% do custo), escalar produção e abrir novos mercados a cada geração.
Em março, a Unitree protocolou um IPO que a avaliaria em US$ 6 bilhões. No primeiro trimestre, a receita subiu 68% ano a ano para US$ 62 milhões, mas o lucro líquido ajustado caiu pela metade para US$ 6 milhões, pressionado por custos de P&D e vendas.
O abismo da generalização
Apesar do avanço em hardware, 74% das vendas de humanoides da Unitree vão para universidades e desenvolvedores - apenas 9% para aplicações industriais. Os robôs operam a 30-50% da eficiência humana em tarefas gerais de fábrica. O grande desafio é a "lacuna de generalização": fazer robôs entenderem comandos novos em ambientes desconhecidos, em vez de executar scripts rígidos.
Wang estima que estamos a 2-10 anos de um "momento ChatGPT" para humanoides - quando um robô conseguir executar 80% dos comandos de voz em 80% de ambientes não familiares. A batalha agora é por modelos de visão-linguagem-ação (VLA), com Nvidia, Google DeepMind e Alibaba na disputa.
Contexto geopolítico e riscos
Elon Musk afirmou que "não vemos competidores significativos fora da China" no campo de humanoides. O governo chinês declarou humanoides uma "inovação disruptiva" no nível de smartphones e veículos elétricos, com fundos de investimento municipais somando mais de US$ 26 bilhões desde o fim de 2024. Nos EUA, três legisladores apresentaram o Guard Act, que busca banir robôs chineses considerados ameaça à segurança nacional, citando a Unitree nominalmente.
Riscos de segurança também preocupam: em 2025, analistas descobriram um backdoor nos robôs-cães Go1 da Unitree que permitia controle remoto. Wang afirma que seus produtos operam desconectados da rede por padrão.
Perspectiva de longo prazo
Morgan Stanley prevê até 13 milhões de humanoides em operação até 2035 e 1 bilhão até 2050, com a indústria valendo US$ 5 trilhões. Wang prevê que em 10 anos cada casa poderá ter um robô para lavar roupa, grelhar carne e oferecer cuidados básicos. Mas ele próprio admite: "A tecnologia de robôs humanoides ainda está em estágios relativamente iniciais. Não vai acontecer da noite para o dia."