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Empresas cortam gastos com IA combinando modelos premium e abertos
IA & Modelos · Trabalho & Gestão

Empresas cortam gastos com IA combinando modelos premium e abertos

resumo de ~3 min

Da ostentação à economia

Empresas americanas estão mudando a forma de comprar inteligência artificial depois de se depararem com custos crescentes. Em vez de concentrar todo o uso nos modelos mais avançados e caros da OpenAI e da Anthropic, muitas passaram a combinar serviços premium com modelos mais baratos, incluindo opções de pesos abertos desenvolvidas na China. A lógica é escolher o modelo conforme a tarefa, sem fidelidade a um único fornecedor.

Mike Saeks, diretor de tecnologia de campo da Cursor, resume a mudança comparando o uso de um modelo poderoso em tarefas simples a dirigir uma Lamborghini para comprar leite. A empresa chama de “tokenomics” a análise de uso, custo e retorno dos tokens, unidade que mede o consumo dos modelos. O movimento representa uma reversão do período em que empresas estimulavam funcionários a gastar mais tokens, prática descrita como “tokenmaxxing”; agora, a prioridade é reduzir esse consumo.

Entre as estratégias citadas estão restringir o acesso aos modelos de ponta para novos funcionários, usar um sistema avançado para planejar uma tarefa e modelos mais baratos para executá-la, além de distribuir o trabalho entre diferentes fornecedores. Em um experimento da Cursor para construir um navegador do zero, fazer todo o trabalho com o GPT-5.5 da OpenAI custou pouco mais de US$ 10 mil. Usar o modelo Composer, da própria Cursor, combinado com o Opus 4.8, da Anthropic, custou US$ 1.339.

Pressão sobre fornecedores e modelos abertos

A competição também alterou a relação entre clientes e laboratórios. Marty Kausas, CEO da Pylon, afirma que empresas de IA estão oferecendo descontos agressivos e meses de uso ilimitado. Segundo sua estimativa, a Pylon recebeu, neste ano, cerca de US$ 1,6 milhão em tokens gratuitos de um fornecedor, US$ 65 mil de outro e US$ 10 mil de um terceiro.

A escolha de modelos tem ainda uma dimensão geopolítica. Os modelos americanos mais conhecidos costumam ser fechados e controlados por seus criadores, enquanto os chineses frequentemente são mais baratos e de pesos abertos, permitindo download e personalização. OpenAI e Anthropic acusam empresas chinesas de copiar sua tecnologia. Algumas companhias evitam esses modelos por preocupações de segurança, e executivos dos dois laboratórios alertaram para possíveis riscos. Há defensores de restrições, inclusive entre autoridades do governo Trump, mas outros dizem que limitar essas ferramentas prejudicaria a concorrência. Nvidia, Microsoft e Palantir assinaram uma carta pedindo cautela aos formuladores de políticas diante de eventuais restrições.

Exemplos de uso combinado

A Zoom usa o Llama, modelo de pesos abertos da Meta, há três anos e afirma ter economizado substancialmente ao ajustá-lo. Hoje, combina modelos da Anthropic, da OpenAI e abertos. Na Hex, cerca de 50% dos clientes adotaram o Kimi, da chinesa Moonshot, nas duas semanas anteriores ao relato, enquanto a empresa mantém flexibilidade para trocar de laboratório.

A Telnyx migrou parte de seus agentes para modelos abertos depois que a Anthropic deixou de permitir sistemas operacionais de terceiros em certas assinaturas. O custo estimado para continuar usando o Claude por consumo seria de cerca de US$ 100 mil por dia. Atualmente, 1.400 agentes da Telnyx usam uma família de modelos da chinesa Z.AI por aproximadamente US$ 100 por agente ao dia; um modelo da Anthropic planeja o trabalho e um da OpenAI revisa o resultado.

A conclusão apresentada é que a era de uma IA mais barata pode permanecer, embora empresas ainda paguem mais quando precisam do maior nível de inteligência. OpenAI e Anthropic respondem com modelos mais eficientes, opções de menor custo, incentivos e uso subsidiado. O mercado, porém, parece caminhar para arquiteturas flexíveis, nas quais modelos premium e abertos dividem funções para preservar desempenho e reduzir despesas.