
Sites estão genéricos; futuro pode bifurcar em Silent e Experiential Web
A web ficou genérica - e a IA pode piorar ou libertar
Sam Belt, estrategista com passagem por AKQA, Nike, Work&Co e Wieden+Kennedy, argumenta que os sites se tornaram entediantes não por falta de talento, mas por excesso de racionalidade: mobile-first, otimização de conversão, acessibilidade e SEO levaram a decisões lógicas que, somadas, eliminaram a diferenciação. Templates de Shopify, Squarespace e Webflow resolveram problemas reais de engenharia, mas produziram uma homogeneização em massa - heros de três colunas, páginas de produto idênticas, checkouts copiados entre concorrentes.
O risco da IA agêntica
A ascensão de buscas agênticas e LLMs acelera o problema. Projeções indicam que o comércio agêntico pode gerar US$ 1 trilhão no varejo B2C dos EUA até 2030, com estimativas globais de US$ 3-5 trilhões. 58% da Gen Z e millennials confiam em agentes de IA para comparar preços; nos Emirados Árabes, 85% dos consumidores já usam ferramentas de IA para compras. Segundo o New York Times, 60% das buscas agora terminam sem um único clique. Com o Universal Cart do Google, sites correm o risco de virar meros bancos de dados silenciosos operando em segundo plano.
A bifurcação: Silent Web e Experiential Web
Belt propõe aceitar que sites têm duas audiências distintas. Para máquinas (agentes, LLMs, scrapers), constrói-se a "Silent Web": feeds de dados estruturados e hiper-otimizados. Para humanos, libera-se a "Experiential Web": experiências únicas, bonitas e memoráveis, sem a obrigação de servir simultaneamente a busca e à alma com o mesmo template rígido.
Lições do passado e exemplos atuais
O autor resgata casos da web antiga em que brand e código trabalhavam juntos: o Nike Better World (que popularizou o parallax scrolling), o "Slim your Wallet" da Bellroy (slider interativo que mostrava a diferença de volume entre carteiras) e a Bagigia (scroll horizontal que girava uma bolsa 360 graus). Todos eram comerciais e conversivos, mas nenhum era template.
Como equivalentes atuais, cita o AI Wrapper da Tony's Chocolonely (usuários pintam embalagens personalizadas via prompt), o Infinite Wonderland do Google Creative Lab (IA ilustra páginas de histórias clássicas em tempo real) e o fitdrop.cc (playground digital com 45 anos de moda mapeados em avatares manipuláveis).
Conclusão
A tese central: se a estratégia de IA for puramente tecnológica, a marca se automatiza para dentro de uma commodity ainda mais fria. A IA deve ser usada como parceira criativa - como o código foi usado no passado - para supercarregar storytelling e construir distinção. Alimente as máquinas com dados estruturados no backend, mas não deixe que a ordem delas dite o design humano.