
AI não está substituindo marketing, está trocando o espaço de canais
A tese central
Ara argumenta que a IA não está matando canais de marketing - está adicionando mais uma camada a um ecossistema já fragmentado. A pergunta certa não é "qual canal morre?", mas "qual papel cada canal desempenha agora?".
Evidências de que canais antigos sobrevivem
- TV: Em 2025, 91% dos adultos australianos usaram serviços de vídeo online em uma semana média, mas 52% ainda assistiam TV aberta tradicional - número que até subiu levemente após anos de queda.
- Áudio: No 4º trimestre de 2025, americanos gastaram 61% do tempo diário de áudio com anúncios em rádio tradicional. Podcasts ficaram com 21%, streaming de música com 15%.
- Notícias: O Digital News Report Australia 2025 mostrou TV como principal fonte (37%), mas pela primeira vez redes sociais (26%) ultrapassaram sites de notícias (23%) como fonte principal.
Adoção de IA é real, mas desigual
Em fevereiro de 2026, 49% dos adultos americanos usavam chatbots de IA (contra 33% em 2024). Porém, adultos com menos de 50 anos têm o dobro da probabilidade de usar ChatGPT em relação aos mais velhos. Clientes não abandonam Google, sites, e-mail e redes sociais na mesma velocidade.
Sites não morreram - sites fracos morreram
A IA pode reduzir tráfego para páginas informativas genéricas, mas clientes ainda precisam de sites para verificar ofertas, comparar opções, ver provas sociais e converter. Dados da Adobe Analytics (maio de 2026) mostram que compradores vindos de LLMs gastam mais tempo em sites de varejo e geram mais receita por visita do que visitantes de fontes não-IA. Google mantinha 86,67% do mercado de busca nos EUA em junho de 2026.
O problema real: proliferação
Equipes de marketing precisam gerenciar busca, ads, social, e-mail, YouTube, TikTok, LinkedIn, influenciadores, PR, podcasts, plataformas de reviews, parcerias, assistentes de IA, eventos e campanhas offline. Fazer tudo não é estratégia - é pânico com crachá.
Modelo proposto: marketing em camadas
- Home base (site): controle da mensagem, provas, conversão.
- Descoberta: busca, IA, social, vídeo, criadores - um bom conteúdo deve funcionar em múltiplos canais.
- Confiança: evidências, exemplos reais, ponto de vista distinto. Com IA facilitando conteúdo genérico, expertise credível vale mais.
- Retenção: e-mail, CRM, remarketing. Com aquisição mais cara, reter importa mais.
- Adaptação: pesquisa, testes, iteração. Ninguém sabe exatamente como IA e busca vão mudar.
Mudança de mentalidade
Marketers precisam pensar em comportamentos, não em canais. Em vez de "devemos estar no TikTok?", perguntar se a audiência usa vídeo curto para descobrir ou validar produtos. Canais são containers; comportamento é o assunto real.