
Construir com IA não basta: julgamento e taste ainda decidem valor
David Pereira, ex-CEO e coach de product managers, relata em primeira pessoa sua experiência reconstruindo seu site pessoal com ferramentas de IA (Claude Design, Claude Code, Firebase) e os erros que cometeu ao longo de quase quatro semanas.
Por que construir
Antes de qualquer ferramenta, ele defende clareza sobre audiência, proposta de valor e - principalmente - sobre o que você sabe e o que não sabe. Seu site antigo era funcional, mas genérico: templates do Kajabi, banners do Canva e copy sem identidade. Ele queria algo que refletisse quem é: provocador, otimista e direto.
Design: taste acima de velocidade
Começou pequeno, gerando infográficos com Claude Sonnet 4.6 - e odiou o resultado, que parecia "mais um post de LinkedIn". Ao migrar para Opus, obteve algo mais próximo do que buscava. Compartilhou opções com a audiência e recebeu feedbacks como "bonito, mas sem alma" e "falta a SUA marca".
A virada veio quando identificou seus traços de marca (pensamento provocador, toque pessoal, simplicidade, audácia) e os traduziu em elementos visuais concretos - como um estilo manuscrito que ele já usava em workshops. A versão final recebeu comentários como "isso é você" e "mostra que você é humano".
Construção: passo a passo, não specs
Ele testou a abordagem de specs-driven development (gerar um PRD com IA e deixar agentes codificarem). O resultado foi um site que pouco tinha a ver com o design, com interações ruins. Após conversar com seu irmão, que já havia construído uma aplicação completa, adotou cinco passos:
- Esquecer specs; ir bit a bit.
- Usar modelos mais fortes para arquitetura e mais fracos para execução.
- Pedir ao Claude Code que avalie o output do Claude Design e crie o design system.
- Implementar uma única página por vez.
- Iterar os componentes até bater com o esperado.
Resetou o repositório e recomeçou. Tentou com Claude Pro, mas os limites de uso quebravam seu fluxo; migrou para Claude Max e concluiu a implementação em cerca de um dia.
Quebras e lições
Após o lançamento para um grupo pequeno, um engenheiro alertou que seus app secrets estavam expostos. Ao corrigir com Sonnet, outras coisas quebraram (lead magnets, CMS). Usou Opus 4.8 com esforço alto e resolveu - mas aceitou um prompt sem ler e perdeu todo o conteúdo adaptado. Em outro momento, removeu acidentalmente uma entrada de DNS e ficou sem e-mail horas antes de um ensaio fotográfico com a esposa grávida.
Resultados e conclusão
O site está no ar há algumas semanas e as métricas de leads e aplicações superaram suas expectativas. A conclusão central: os PMs mais valorizados não são os que dominam IA, mas os que dominam product management - julgamento, taste e decisões difíceis. As ferramentas se aprendem em dias ou semanas; o craft leva muito mais tempo.