
A beleza tem papel funcional, não apenas decorativo
Por que Patrick Collison passou a se interessar por estética
Patrick Collison, CEO da Stripe, explicou em uma thread por que passou a dedicar mais atenção à estética depois de uma vida focada em temas de STEM. Ele identifica uma confluência de fatores:
A feiura do mundo moderno. Collison observa que muitos objetos hoje são mais feios do que precisariam ser - compara cabines telefônicas e bebedouros antigos com os atuais. Como alguém com uma visão meliorista de que as coisas deveriam melhorar, ele se pergunta: por que paramos de fazer as coisas bem feitas?
A ruptura do modernismo. Ele destaca que o modernismo envolveu uma rejeição explícita da continuidade cultural, especialmente visível na arquitetura americana após a exposição International Style de 1932. Cita Elaine Scarry, que escreveu sobre como a beleza inspira criação - e sugere que o inverso também pode ser verdadeiro: a feiura inibe a criação.
Estética como motor de progresso. Collison lembra que mudanças estéticas podem inspirar avanços em outras áreas: Petrarca ajudou a criar pré-condições para o Renascimento, que por sua vez fomentou a revolução científica e o Iluminismo. As Exposições Universais do século XIX (como a de 1851 no Crystal Palace, com 6 milhões de visitantes numa população de 21 milhões) refletem a interdependência entre estética e desenvolvimento material.
Cultura estagnada. Ele menciona Ted Gioia e outros que escreveram sobre como muitos domínios culturais parecem ter parado de avançar de forma direta desde os anos 1990. Questiona se isso se deve à internet, à fragmentação, à perda de oferta ou ao esgotamento dos meios.
Equilíbrios ruins e reflexividade. Collison acha fascinante como a oferta pode moldar a demanda. Usa o exemplo da comida na Alemanha: o país é mais rico que seus vizinhos, mas a comida é objetivamente pior que a da França e Itália - e os alemães parecem conformados. Ele pergunta: em que outros domínios estamos presos em equilíbrios inferiores sem perceber?
Arte como fonte de dados. Ele menciona que obras de arte permitem estudar questões objetivas (como o status das mulheres na sociedade) e está entusiasmado com as possibilidades de análise computacional de arte, algo análogo ao Google Ngram para artes visuais.
Aplicação na Stripe. Collison diz que buscar fazer as coisas de forma bela ajuda a romper com práticas padrão e a criar algo com maior novidade. Além disso, pessoas excelentes querem fazer trabalho excelente porque isso é intrinsecamente satisfatório.
A beleza como marcador de coerência. Ele encerra citando Solzhenitsyn no discurso do Nobel: entre as virtudes platônicas (bondade, verdade e beleza), a beleza é especial por possuir uma irrefutabilidade única - "uma verdadeira obra de arte carrega sua verificação dentro de si mesma". Collison não acha que a beleza reflita diretamente algum traço definitivo, mas se interessa pela ideia de que ela pode ser um marcador de coerência metafísica mais profunda.