
Desejos são moldados por comparação com outras pessoas
Desejos são moldados por comparação com outras pessoas
O artigo parte da observação de que conseguimos o que queremos, sentimos euforia por um tempo, e depois a satisfação desaparece - levando a um ciclo de buscar a próxima coisa. A explicação, segundo o autor, é que muitos dos nossos desejos não são realmente nossos: são copiados de outras pessoas.
A teoria do desejo mimético
O pensador francês René Girard, conhecido por seus estudos em literatura, identificou um padrão nos grandes romances: os personagens querem o que os outros querem, copiando-se mutuamente e convencidos de que seus desejos são originais. Girard chamou isso de "Mentira Romântica" (a ilusão de que desejamos algo de forma autônoma) versus "Verdade Romanesca" (a realidade de que nossos desejos são emprestados). A psicologia de Leon Festinger reforça isso: sem métricas objetivas para avaliar nossa vida, usamos os outros como referência.
Seis lições práticas
1. Identifique quem escolhe seus desejos. A pergunta não é "por que eu quero isso?" (que ativa a racionalização), mas sim "quem me ensinou que isso vale a pena querer?".
2. Você está perseguindo uma pessoa, não uma coisa. Não queremos o carro ou o cargo em si, mas a sensação de ser a pessoa que vimos com aquilo. Nenhum objeto consegue fazer um transplante de vida.
3. O problema são os pares, não as celebridades. A rivalidade mimética surge com pessoas próximas - o colega, o vizinho, o amigo da faculdade. Um estudo de Boyce, Brown e Moore mostrou que o que determina satisfação com a vida não é renda absoluta, mas posição relativa em relação aos pares.
4. Transforme inveja em aprendizado. A inveja aponta para o que realmente importa para você. Em vez de precisar que o rival fracasse, pergunte: "O que posso aprender com isso?" Extraia a habilidade, descarte o drama.
5. Distinga desejos "finos" de "espessos". Luke Burgis propõe essa divisão: desejos finos são orientados a status (cargo, marca, aparência), exigem plateia e são inerentemente competitivos. Desejos espessos são mais profundos (ser bom amigo, desenvolver um hobby, crescer pessoalmente) e não são jogos de soma zero. O teste é: "Eu ainda quereria isso se ninguém soubesse que consegui?"
6. Escolha melhores heróis. Pessoas mortas são ótimos modelos porque nunca se tornam rivais. E diversifique: ter um único herói absoluto é o equivalente a estar numa seita.
O ponto final
Você também é modelo para outros. Suas reações, admirações e invejas são observadas e copiadas - especialmente por crianças, que são "antropólogas da tribo". A pergunta final é: "O que as pessoas ao meu redor estão aprendendo a desejar comigo?"