
Fidji Simo deixa OpenAI e cria startup para curar POTS com IA
ChronicleBio: a startup de Fidji Simo para curar doenças crônicas com IA
Fidji Simo, ex-CEO de AGI Deployment da OpenAI (cargo em que reportava diretamente a Sam Altman), deixou a empresa após sete anos de luta contra a Síndrome de Taquicardia Ortostática Postural (POTS), uma doença crônica que causa tontura ao se levantar, fadiga, névoa mental e dores de cabeça. Em sua primeira entrevista desde a saída, ela detalhou os planos da ChronicleBio, startup que cofundou com Rohit Gupta e Rishi Reddy para usar inteligência artificial na busca por curas para doenças crônicas complexas.
O problema que a empresa ataca
Simo explica que muitos ensaios clínicos falham porque os medicamentos são testados em todos os pacientes com o mesmo diagnóstico, quando na verdade uma condição como POTS pode conter múltiplas "subdoenças" com biologias completamente diferentes. A ChronicleBio já identificou cinco subdoenças distintas dentro de POTS, cada uma com mecanismos biológicos diferentes - uma impulsionada pelo sistema imunológico, outra pelas mitocôndrias, por exemplo.
Dados e escala
No primeiro ano, a empresa realizou 890 coletas de sangue de 709 pacientes em Utah, Arizona, Texas e Índia, acumulando mais de 3.500 tubos em seu "biobanco". Extraiu 153 terabytes de dados dessas amostras - três vezes mais que os 45 terabytes usados para treinar o GPT-3.5. A empresa já levantou US$ 15 milhões.
Próximo passo: coleta domiciliar
Em 11 de agosto, a ChronicleBio lançará um programa de coleta de sangue móvel que vai até a casa dos pacientes - importante porque muitos estão acamados. Os primeiros 250 participantes receberão relatórios detalhados gratuitamente; depois, o custo será de US$ 400 (a preço de custo). Em troca, os dados biológicos alimentam a base da empresa.
Por que IA é essencial
Segundo Simo, a complexidade multissistêmica dessas doenças - envolvendo sistema nervoso, imunológico e genética simultaneamente - tornava a análise impossível sem IA. A empresa usa modelos da OpenAI e da Anthropic. Simo argumenta que registros médicos eletrônicos são ruidosos e insuficientes; o que falta é o equivalente à "internet da biologia" - dados biológicos brutos e ricos, assim como a internet forneceu dados de linguagem para os LLMs.
Contexto pessoal e motivação
Simo descreve estar "fisicamente no pior momento" de sua vida, mas vê na convergência de IA avançada e queda nos custos de análise genética uma oportunidade única. Ela destaca que doenças como a síndrome da fadiga crônica são consideradas as mais incapacitantes de todas, piores que câncer em termos de qualidade de vida, mas recebem financiamento ínfimo por afetarem predominantemente mulheres e por geralmente não serem fatais.