
Electronic Arts é vendida por US$ 55 bilhões a grupo saudita
A venda
A Electronic Arts (EA) teve sua aquisição por US$ 55 bilhões finalizada por um grupo liderado pelo Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita. A empresa é conhecida por franquias como EA FC (antigo Fifa), The Sims e Mass Effect. O grupo comprador inclui também a Affinity Partners, liderada por Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
A EA deixará de ser negociada em bolsa. É considerado o maior leveraged buyout (compra alavancada) da história: além dos US$ 36 bilhões já investidos pelo PIF, foram tomados US$ 20 bilhões emprestados do JPMorgan, dívida que a própria EA terá de assumir e pagar.
Preocupações e possíveis impactos
Analistas especulam que a pressão para pagar a dívida pode resultar em demissões em massa, monetização mais agressiva e cortes de custos. Christopher Dring, do Game Business, disse que empresas de private equity costumam ter gestão muito intervencionista.
Shams Jorjani, CEO da Arrowhead Game Studios (Helldivers 2), questionou se a nova gestão vai priorizar apenas sequências e megafranquias em detrimento do portfólio diversificado da EA. Ele classificou o negócio como "consolidação, sem dúvida".
Fãs também expressaram preocupação com a influência saudita sobre temas de representatividade em jogos como The Sims, dado que na Arábia Saudita relações entre pessoas do mesmo sexo podem ser punidas com pena de morte sob interpretações da lei Sharia. O grupo Players Alliance HQ organizou petições contra o acordo.
Por que a Arábia Saudita quer a EA?
George Osborn, autor de Power Play: Video Games, Politics and the Battle for Global Influence, argumenta que o interesse não é puramente econômico. O PIF já investiu pesadamente em esportes - do Newcastle United a clubes da Saudi Pro League - e a EA oferece acesso direto a uma comunidade esportiva global: 20 mil jogadores, 750 clubes e 35 ligas licenciadas.
A EA teve receita de US$ 7,5 bilhões no ano anterior, e Battlefield 6 vendeu mais de 7 milhões de cópias nos três primeiros dias. Apesar disso, demissões continuaram mesmo após o sucesso.
O negócio é a segunda maior aquisição da história dos games, atrás da compra da Activision Blizzard pela Microsoft por US$ 69 bilhões. O CEO Andrew Wilson permanece no cargo. O PIF é controlado pelo príncipe Mohammed bin Salman, cujo governo é alvo de acusações de violações de direitos humanos.