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Luminária de teto projeta cone protetor de luz sobre pessoas respirando o mesmo ar, metáfora da tecnologia far-UVC
Ciência & Espaço

Luz UVC distante pode frear futuras pandemias

resumo de ~3 min

O que é a luz far-UVC

O episódio discute o uso de luz ultravioleta distante, ou far-UVC, em torno de 222 nanômetros, para reduzir a circulação de patógenos pelo ar. A pesquisadora Vivian Belenky, da Columbia University, explica que esse comprimento de onda é absorvido pelo DNA e pelo RNA dos patógenos, mas também por praticamente todas as proteínas. Essa segunda característica faria com que a maior parte da dose fosse retida pela camada córnea da pele humana, composta por cerca de 20 micrômetros de células mortas, antes de alcançar tecidos vivos.

Os olhos são uma questão mais complexa: a proteção ocorre principalmente por mecanismos físicos, como pálpebras, cílios e o contorno das sobrancelhas. Segundo Belenky, a reação esperada seria semelhante à de olhar para uma luz muito intensa, e não à exposição a um laser infravermelho; o reflexo de fechar os olhos ajudaria a limitar o risco. Em contraste, comprimentos de onda germicidas mais longos, como 254 e 265 nanômetros, não são absorvidos da mesma maneira pelas proteínas e podem causar desconforto e lesões oculares rapidamente se forem instalados ou usados incorretamente.

Evidências e alcance potencial

Belenky compara a eficácia da far-UVC à de um purificador de ar extremamente potente: o efeito poderia equivaler a 30 a 50 trocas de ar por hora, e não apenas a uma ou duas adicionais. Essa conclusão em escala de sala foi demonstrada em um estudo publicado na revista Scientific Reports, que avaliou a inativação de um patógeno transportado pelo ar em uma câmara do tamanho de uma sala.

O dado mais expressivo apresentado no episódio vem de um estudo em andamento na África do Sul, no qual cobaias expostas ao ar de uma ala hospitalar teriam apresentado cerca de 90% de supressão na transmissão da tuberculose. O resultado é descrito como preliminar e não havia, segundo as notas, artigo ou preprint publicado que o sustentasse; portanto, trata-se de um número relatado pelos participantes, não de uma evidência publicada. A tuberculose também seria particularmente resistente à far-UVC, talvez cerca de dez vezes mais que um vírus respiratório típico.

A hipótese defendida é que a tecnologia talvez seja menos eficaz contra resfriados comuns, geralmente transmitidos por contato próximo e prolongado, mas poderia ter impacto maior em futuras pandemias respiratórias. Quanto mais transmissível o patógeno, argumenta Belenky, maior tende a ser a parcela da disseminação por ambientes compartilhados e maior a superfície de atuação da intervenção. O episódio cita o sarampo, com número de reprodução em torno de 20, como precedente para o uso de UV germicida de 254 nanômetros. A COVID-19, em seu pior momento, teria ficado em torno de 1 e pouco.

Custo, adoção e limitações

Aerolamp estima cobertura de aproximadamente 250 pés quadrados por lâmpada. Uma sala de aula padrão precisaria de duas ou três unidades, a cerca de US$ 500 cada, e a instalação profissional custaria aproximadamente o mesmo que as lâmpadas. Como a tecnologia de 222 nanômetros seria intrinsecamente mais segura, a instalação poderia ser feita por um eletricista comum, ao contrário dos sistemas antigos, que exigiam especialistas.

Para os participantes, o principal obstáculo é a falta de conhecimento, não o custo ou a ciência. Eles defendem transformar a far-UVC em infraestrutura cotidiana, semelhante a estações de álcool em gel. Também discutem a dificuldade de realizar estudos formais quando um único participante pode bloquear a aprovação de uma instalação por um comitê de ética. Uma alternativa seria estudar sistemas já instalados por proprietários de edifícios.

Belenky rejeita a ideia de que reduzir doenças impediria o treinamento do sistema imune: a imunidade seria desenvolvida pelo contato com microrganismos ambientais e comensais, não por adoecer clinicamente. Ela afirma que infecções como RSV são neutras ou negativas para a imunidade futura, enquanto o sarampo pode destruir memória imunológica. Sobre o uso doméstico, Gurevich considera que US$ 500 geralmente não compensariam em uma casa com quatro pessoas; Belenky observa que bebês, tratamentos médicos e o custo de doenças podem alterar essa conta. Ambos apontam escolas, centros de transporte, instituições de longa permanência e outros locais de ar compartilhado como áreas de maior retorno social.