
OpenAI paga US$ 100 por fatia de 4,2% na Cerebras antes do Ultrafast
Participação e acordo de capacidade
A OpenAI exerceu, em julho, todos os warrants já adquiridos da Cerebras e recebeu 10.033.508 ações Classe N por cerca de US$ 100, ao preço contratual de US$ 0,00001 por ação. A operação representa 4,22% das 237.564.041 ações da Cerebras em circulação em 5 de agosto. Pelo preço de negociação da Classe A, de aproximadamente US$ 229 em 13 de agosto, a participação teria valor implícito perto de US$ 2,3 bilhões. Esse cálculo não equivale ao valor de um ativo líquido: as ações Classe N não têm direito a voto e, em geral, só são convertidas em Classe A quando transferidas.
O warrant fazia parte de um acordo comercial firmado em dezembro de 2025. O instrumento completo cobria 33.445.026 ações Classe N e estava relacionado ao compromisso da OpenAI de comprar 750 megawatts de capacidade de inferência em parcelas até 2028, com opção por mais 1,25 gigawatt até o fim de 2030. Um empréstimo de capital de giro garantido, de aproximadamente US$ 1 bilhão, obtido em janeiro de 2026, acionou a primeira parcela. A OpenAI ainda mantém warrants para 23.411.518 ações, condicionados a metas de capacidade, pagamentos ou valor de mercado.
O serviço Ultrafast
Dois dias depois da divulgação do documento trimestral, a OpenAI apresentou o Ultrafast como uma modalidade de serviço, e não como um novo modelo. O nível roda o GPT-5.6 Sol em sistemas wafer-scale da Cerebras e anuncia até 750 tokens de saída por segundo, ou até 14 vezes a velocidade do nível Standard. Segundo a Cerebras, cada chip do tamanho de uma pastilha contém 44 GB de SRAM, permitindo manter os pesos do modelo no próprio chip em vez de transferi-los para armazenamento externo entre tokens.
Na data da prévia, o preço da API do Standard era de US$ 5 por milhão de tokens de entrada e US$ 30 por milhão de tokens de saída. O modo Fast custava cerca de US$ 10 e US$ 60, respectivamente, e prometia até 2,5 vezes a velocidade do Standard. A OpenAI não havia informado o preço do Ultrafast, um identificador separado de modelo nem a data de disponibilidade geral. O acesso inicial era limitado a clientes selecionados e deveria ser ampliado conforme crescesse a capacidade da Cerebras. Dentro da OpenAI, o serviço era testado em resposta a incidentes e ciclos de pesquisa que antes podiam durar a noite.
Evidências e ressalvas
As comparações de velocidade e qualidade foram conduzidas ou caracterizadas pela Cerebras. Em testes feitos em datas diferentes e com ferramentas distintas, a empresa afirmou que o Ultrafast concluiu o Humanity's Last Exam, com 2.500 questões, em 11 horas e 11 minutos, contra 78 horas e 27 minutos do Claude Fable 5. A Cerebras descreveu o resultado como quase sete vezes mais rápido, com precisão comparável, mas não publicou as pontuações de precisão. Outro teste, realizado em 31 de julho, apontou ganho de 5,6 vezes em relação ao processamento Standard, sem perda de qualidade.
A alegação de até 14 vezes mais velocidade não apresentou a carga de trabalho de referência, o conjunto de prompts ou o nível de esforço de raciocínio. Como a prévia não estava aberta a uma avaliação independente, não havia validação de terceiros sobre a qualidade ou as comparações. Assim, o acordo combina a compra de capacidade de inferência com uma participação acionária da OpenAI na empresa responsável por todas as comparações competitivas divulgadas no lançamento.