
Tática do 'oops': como um erro proposital pode gerar mais engajamento
A tática do “oops”
A proposta é usar um erro aparentemente acidental em uma mensagem de marketing para criar um motivo de contato adicional, especialmente quando o primeiro e-mail foi ignorado. A sequência recomendada consiste em enviar uma mensagem com uma falha plausível - como um botão que leva a um endereço quebrado, uma data errada, um texto de preenchimento como “Lorem Ipsum” ou um desconto divulgado antes da hora - e, poucos minutos depois, mandar um pedido de desculpas com o link correto e, se fizer sentido, um benefício extra.
O texto atribui a eficácia da estratégia a dois mecanismos. Primeiro, uma correção desperta a curiosidade: as pessoas tendem a querer identificar erros, e a fórmula “esqueci alguma coisa” pode parecer mais humana do que uma abordagem comercial direta. Assim, a empresa consegue colocar duas mensagens diante do destinatário, e o segundo contato carrega a oferta principal. Segundo, o autor afirma que e-mails frios com links têm dez vezes mais probabilidade de cair no spam, sobretudo quando vêm de alguém desconhecido e o destinatário nunca respondeu; por isso, uma mensagem inicial sem o link principal poderia ajudar a preparar o contato seguinte.
Por que a encenação pode funcionar
Além de aumentar a exposição, o “erro” pode funcionar como uma prévia de uma campanha. Uma mensagem enviada pela Virgin Voyages mencionava uma promoção de Black Friday ainda um mês antes da data e continha “Lorem Ipsum”, texto normalmente usado como preenchimento em modelos de design. O texto considera forte a possibilidade de que a falha tenha sido planejada, embora não a trate como fato comprovado. Uma segunda mensagem, apresentada como pedido de desculpas, completava a sequência.
A estratégia também pode produzir quatro efeitos: fazer o público se sentir perspicaz por ter percebido a falha; gerar expectativa sobre uma oferta futura; humanizar a marca ao mostrar pessoas supostamente responsáveis pelo erro; e criar uma justificativa natural para oferecer desconto adicional ou estender o prazo de uma promoção. O autor recomenda procurar “oops” ou “Lorem Ipsum” na própria caixa de entrada, onde afirma ter encontrado exemplos de The Fork, Indochino e Epidemic Sound.
Limite da estratégia
A principal ressalva é não abusar da fórmula. O texto observa que mensagens de “erro” enviadas repetidamente podem saturar o público e cita a Epidemic Sound como exemplo de uma empresa cujos e-mails desse tipo apareciam a cada poucas semanas. A recomendação final é usar a tática apenas uma vez, para preservar a aparência de casualidade e evitar que o recurso se torne previsível. A tese central, portanto, é que uma falha encenada pode elevar abertura, curiosidade e conversão, mas sua eficácia depende de parecer plausível e de permanecer pontual.