
Harvey II traz memória e contexto para agentes jurídicos
Contexto e memória para agentes jurídicos
A Harvey anunciou em 18 de agosto de 2026 o Harvey II, atualização que faz seus agentes iniciarem com o contexto do assunto ou projeto em que operam, além de uma memória sobre o estilo e as preferências de cada usuário. O problema que a empresa busca resolver é o retrabalho: a maioria das ferramentas de IA jurídica começa do zero a cada tarefa, exigindo que o advogado recarregue documentos, explique o assunto e corrija o formato repetidamente.
Spaces como unidade de trabalho
No Harvey II, cada agente abre dentro de um Space - um ambiente que reúne documentos, partes envolvidas, tarefas, permissões e histórico do trabalho. Tarefas podem ser atribuídas a advogados ou a agentes, e o fluxo segue de um para o outro sem sair do espaço. Para escritórios, permissões e barreiras éticas sincronizam a partir de sistemas já existentes. O uso e o custo de IA ficam vinculados ao mesmo assunto ou projeto, de modo que o gasto acompanha o trabalho. Dados de um cliente nunca transitam entre Spaces diferentes.
Memória pessoal e de equipe
Além do contexto do projeto, o Harvey II aprende como o usuário estrutura resumos, o que quer citado e como escreve. Parte disso é informada diretamente; o restante é inferido a partir de edições e correções. Essa memória acompanha o usuário no Harvey, no Word e no Outlook. O usuário pode visualizar, alterar ou desativar tudo, e a memória não é usada para treinar modelos.
No nível de equipe, o Harvey II também trabalha a partir de templates e playbooks já usados pelo escritório - como acordos de crédito negociados repetidamente ou fallbacks aprovados por equipes internas. Cabeçalhos, numeração, termos definidos e estilo de citação são configurados uma vez e aplicados consistentemente.
Harvey Tenet: modelo treinado para o direito
A principal novidade técnica é o Harvey Tenet, primeiro modelo da empresa pós-treinado de ponta a ponta para raciocínio jurídico. Segundo a Harvey, o modelo atinge nível de fronteira em benchmarks jurídicos proeminentes, com desempenho comparável aos modelos gerais mais fortes, mas a custo de código aberto - o que torna viável rodar agentes continuamente em todos os assuntos.
A empresa também indica o próximo passo: parcerias com organizações para construir modelos especializados a partir do próprio trabalho jurídico de cada cliente. Dois escritórios usando Harvey teriam modelos diferentes porque seus trabalhos teriam moldado os modelos de forma distinta.
Cenário prático
A Harvey descreve um exemplo: ao retornar a um assunto de M&A pela manhã, o advogado encontra que o agente processou durante a noite um lote de contratos materiais no data room, devolveu uma revisão de primeira passagem no formato do usuário com achados citados, destacou os acordos que precisam de atenção e abriu a próxima etapa de revisão para o advogado responsável - tudo sem que o usuário precisasse reconstruir contexto ou repetir instruções.
Síntese
O Harvey II combina três camadas: Spaces que mantêm contexto, histórico e permissões do trabalho; memória que preserva preferências individuais e de equipe; e um modelo jurídico específico que permite raciocinar sobre tudo isso a custo significativamente menor.