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Mão robótica e humana desenham wireframe juntas, metáfora do redesign do papel do designer com IA
Produto & Design · IA & Modelos

IA generativa muda papel do designer, mas não elimina pesquisa

resumo de ~3 min

O episódio Figma Make Designs

Em junho de 2024, a Figma apresentou o recurso Make Designs na conferência Config, capaz de transformar um prompt de texto em um mockup de interface em segundos. Dias depois, o designer Andy Allen identificou que a ferramenta produzia layouts muito semelhantes ao aplicativo Clima da Apple. Diante das questões sobre como o recurso chegava a esses resultados, o CEO Dylan Field desativou temporariamente a funcionalidade, que retornou em setembro com o nome First Draft e opção de layouts "menos genéricos". O episódio saiu das manchetes, mas a pergunta que levantou permanece.

A tese central: homogeneização e desvalorização

Segundo Kateryna Orlova, designer de UX/UI da OnePageCRM, a questão mais relevante não é se a IA substituirá designers, mas o que acontece ao mercado quando milhares de empresas passam a gerar interfaces a partir do mesmo conjunto de componentes. O resultado seriam produtos com nomes diferentes, mas aparência, fluxos e limitações semelhantes. Em vez de competir por qualidade de produto, as empresas passariam a competir por preço, gasto em anúncios e reconhecimento de marca, enquanto problemas específicos de cada audiência ficariam sem solução, porque a IA tende à solução mais comum, não à mais adequada ao contexto.

Uma pesquisa da Figma com quase 1.800 designers e desenvolvedores mostra que 89% esperavam que a IA moldasse os produtos de suas empresas no ano seguinte. No entanto, apenas cerca de um terço dos que já usavam IA em produção relatou ganhos mensuráveis em receita, custo ou participação de mercado.

O limite da IA: observar o usuário

Orlova argumenta que a IA só conhece o contexto que a equipe fornece. Ela pode processar mil avaliações de usuários mais rápido que qualquer humano, mas não sabe o que nunca foi coletado. Os insights mais valiosos surgem da lacuna entre o que usuários dizem e como de fato se comportam dentro do produto - algo que um prompt bem formulado não substitui. Observação, testes e leitura correta de comportamento continuam sendo competências centrais do designer de UX.

O impacto sobre designers juniores

Designers em início de carreira costumavam construir julgamento profissional repetindo pequenos problemas: esboçar opções, errar, receber feedback e revisar. Se a IA assume parte desse trabalho, o iniciante pode avançar mais rápido, mas corre o risco de pular a etapa em que o julgamento se forma. Orlova defende que a educação em design migre do domínio de ferramentas para a capacidade de formular hipóteses, trabalhar com dados de usuários e argumentar em favor de uma decisão.

Recomendações para equipes de produto

Orlova oferece três orientações: não confundir velocidade de produção com qualidade de produto; usar IA onde ela entrega vantagem real - explorar opções, estruturar informação, rascunhar conceitos iniciais e automatizar trabalho repetitivo; e investir em dados próprios sobre os usuários, pois esse histórico de interação é o que nenhum concorrente com o mesmo modelo de IA consegue replicar.

A conclusão é que, à medida que construir interfaces se torna mais rápido e acessível, o valor do designer dependerá menos de dominar uma ferramenta e mais da capacidade de fazer as perguntas certas e tomar decisões de produto em situações sem resposta pronta. A IA não elimina a profissão de UX/UI design; eleva o padrão do que conta como essa profissão.