
Software maleável vence com base sólida e código custom
Tese central
Michael Dubakov, fundador da Fibery e observador do mercado de ferramentas de produtividade desde 2004, argumenta que a combinação de uma base sólida (banco de dados, permissões, histórico, colaboração, notificações) com código customizado para os 20% restantes é a fórmula vencedora para software maleável na era da IA. Ele atualiza uma aposta feita em 2019 sobre a revolução no-code, que envelheceu "mais ou menos", e propõe uma nova visão para o mercado.
O problema da colaboração
Dubakov observa que a IA reduziu a barreira para criar software individual - é possível gerar pequenos aplicativos pessoais com facilidade. Porém, quando se adiciona a dimensão de colaboração (edição concorrente, permissões, histórico de alterações, notificações), a complexidade cresce significativamente. Isso levanta a questão: partir sempre do zero com ferramentas como Codex, ou usar uma base sólida que possa ser adaptada via código customizado?
As cinco opções e suas falhas
O autor analisa cinco caminhos disponíveis para uma equipe que precisa de software sob medida:
- Construir do zero (Claude Code, Codex): os primeiros 80% podem ser fáceis, mas os 20% finais são difíceis, pois exigem cuidar de hospedagem, autenticação, permissões e banco de dados.
- Vibe-coding (Lovable, v0): entrega app hospedado e autenticação prontos, mas quando se ultrapassa o que o gerador faz bem, o usuário fica preso.
- Low-code e app builders (Retool, Softr): oferecem base de aplicativo, não base de trabalho. Os dados presumidamente vivem em outro lugar; mesmo quando há banco próprio, faltam colaboração, comentários e histórico.
- Ferramentas maleáveis (Notion, Fibery): entregam muitos componentes prontos, mas podem não suportar necessidades específicas e têm pontos de extensão insuficientes.
- Ferramenta especializada: boa opção quando não se precisa de customização, mas se torna inviável ao tentar ser genericamente flexível.
Base sólida e código customizado
Dubakov distingue três tipos de base sólida: base técnica (servidores, banco cru, autenticação - fornecida por plataformas de vibe-coding), base de aplicativo (componentes de UI, conectores, controle de acesso - fornecida por low-code) e base de trabalho (os dados vivem ali junto com tudo que a equipe precisa ao redor deles - fornecida por ferramentas maleáveis).
O código customizado cobre o que torna cada empresa única: interfaces específicas, regras de negócio e conexões com sistemas externos. Para funcionar bem, precisa herdar a base (permissões e integridade aplicadas automaticamente) e ser limitado (pode quebrar a si mesmo, mas não corromper a base).
Direção do mercado
O autor identifica que todos os segmentos convergem para a mesma zona: alta expressão de poder com curto tempo de construção. Ferramentas de vibe-coding precisam construir uma base sólida; ferramentas maleáveis precisam adicionar expressão de poder; ferramentas low-code precisam de ambos. Dubakov aposta que ferramentas maleáveis têm mais chance de chegar primeiro, porque adicionar pontos de extensão leva trimestres, enquanto construir uma base sólida leva anos.
Conclusão
Dubakov formula duas apostas: bases sólidas mais código customizado vencerão o mercado de produtividade; e ferramentas maleáveis têm grandes chances de chegar lá primeiro. Ele ressalta um princípio prático: escolher a base, não as interfaces - dados, histórico e permissões acumulam e são difíceis de trocar depois, enquanto a UI se torna a parte barata e substituível.