
Unitree vê robôs humanoides no mercado de massa em até 10 anos
Previsão de chegada ao mercado de massa
Wang Xingxing, fundador da Unitree Robotics, afirmou que robôs humanoides podem alcançar popularidade no mercado de massa dentro de uma década, desde que a indústria resolva limitações que ainda reduzem sua utilidade. Segundo ele, o mercado começará a deslanchar quando essas máquinas conseguirem executar 80% das tarefas recebidas por instruções de voz em ambientes desconhecidos. Wang estimou que atingir esse nível pode levar de dois a dez anos.
Atualmente, os robôs apresentam bom desempenho em condições de teste, mas sua execução cai quando objetos ou características do ambiente mudam mesmo que ligeiramente. Essa baixa versatilidade faz com que ainda fiquem atrás de trabalhadores humanos e limita a variedade de tarefas que conseguem realizar. Para o fundador, a capacidade de lidar com situações novas é o principal requisito para uma adoção ampla.
Foco no “cérebro” do robô
A Unitree vê o desenvolvimento do chamado “cérebro humanoide” como a chave para reduzir essa distância. O foco representa uma mudança de prioridade para a empresa, que ganhou reconhecimento global principalmente pela destreza física de seus robôs. Conforme o prospecto de sua oferta pública inicial, a companhia planeja destinar quase metade dos recursos captados na operação ao desenvolvimento de inteligência artificial incorporada, ou embodied AI.
Wang disse que a Unitree está usando avanços de modelos de IA de fronteira para aprimorar o treinamento desse componente. Na avaliação dele, os modelos de IA ainda são subutilizados no desenvolvimento de robôs, apesar de sua ampla adoção em outras áreas, como programação.
Mercado e indústria chinesa
A estratégia da Unitree acompanha uma tendência mais ampla na indústria chinesa de robótica. Bilhões de dólares em capital de risco estão sendo direcionados a empresas que desenvolvem modelos de IA capazes de permitir que humanoides executem tarefas de forma autônoma. O avanço dessas capacidades pode ampliar a demanda industrial e fortalecer o argumento de que robôs substituam trabalhadores humanos em fábricas, ajudando a enfrentar a escassez de mão de obra e reduzir custos.
A Unitree tornou-se a primeira fabricante de robôs humanoides listada no continente chinês após sua estreia na Bolsa de Xangai, quando suas ações dispararam. A inteligência artificial incorporada passou a ser uma das áreas mais observadas da competição global em IA, enquanto Pequim amplia o apoio a tecnologias estratégicas, incluindo semicondutores e robôs humanoides.
Projeções de demanda
O JPMorgan prevê que os embarques globais de robôs humanoides subam de 18 mil unidades em 2025 para 60 mil neste ano e 1,75 milhão em 2030. O banco estima que a China responderá por mais da metade da demanda mundial. A Unitree está entre as empresas que podem se beneficiar caso esse crescimento se concretize: segundo seu prospecto, a companhia enviou mais de 5.500 robôs humanoides no ano passado, o maior volume global.