
Cortiça vira material recorrente no design de 2026
Por que a cortiça voltou ao centro do design
À medida que sustentabilidade ganha importância no design, na arquitetura e no desenvolvimento de produtos, materiais naturais recebem atenção renovada. A cortiça se destaca por combinar origem renovável, baixo peso, durabilidade e propriedades úteis: é elástica, resistente à água, absorve impactos e vibrações e oferece isolamento térmico e acústico.
A extração é feita a partir da casca do sobreiro sem derrubar a árvore. Segundo o texto, esse ciclo permite que as florestas continuem absorvendo dióxido de carbono e sustentando a biodiversidade. A cortiça também é biodegradável e reciclável, o que a apresenta como alternativa ambientalmente responsável a diversos materiais sintéticos. Seu peso reduzido pode facilitar o transporte e a movimentação dos produtos.
Móveis adaptáveis e uso cotidiano
No mobiliário, designers exploram a cortiça em assentos, mesas e produtos multifuncionais. O material ajuda a criar peças leves, fáceis de reorganizar e duráveis, além de acrescentar textura orgânica e aparência acolhedora aos interiores.
O sistema modular Kidou, de Isabel Vera, reúne componentes que podem ser rearranjados, conectados e empilhados. Os módulos podem formar fileiras de bancos, palco, canto de leitura, estrutura de brincar ou mesa informal, adaptando-se a casas, salas de aula e espaços criativos. A textura macia e os tons terrosos reforçam o conforto e a integração com diferentes ambientes.
A Polka Coffee Table, de Liam de la Bedoyere, incorpora cones de cortiça invertidos no tampo. Eles funcionam como porta-copos, ao mesmo tempo que criam um padrão visual pontilhado. A cortiça é apresentada como resistente ao calor e a riscos, além de tátil e estável.
Arquitetura e produtos multifuncionais
Na arquitetura, a cortiça aparece em painéis de parede, pisos, tetos e revestimentos externos. Suas propriedades térmicas e acústicas podem melhorar o conforto interno e a eficiência energética, enquanto sua aparência natural cumpre funções decorativas. O projeto Nina’s House, de Nina+Co e ROAR Architects, reveste uma casa paroquial dos anos 1970 com painéis de cortiça expandida. O material também é usado no piso interno e em revestimentos de cortiça à base de cal.
A adaptabilidade é igualmente explorada em produtos. Um conceito de banco de Erika Avery e Stu Cole permite transformar dois bancos em uma banqueta ou usá-los separadamente. Uma base cilíndrica de cortiça e conectores removíveis dispensam parafusos e mecanismos complexos, facilitando montagem e manutenção. A possibilidade de trocar os assentos e alterar a configuração busca prolongar o uso e reduzir substituições desnecessárias.
A Cork Box, de Ana Relvao e Gerhardt Kellermann, usa aglomerado de cortiça natural tostada. Seus grânulos são unidos por um processo ativado pelo calor, sem produtos químicos ou adesivos. Empilhável, leve e durável, a peça transforma armazenamento em um sistema ajustável a casas, estúdios e espaços de trabalho.
A conclusão é que a cortiça pode oferecer desempenho, conforto, flexibilidade e apelo visual com menor impacto ambiental. O texto sustenta que sua expansão em móveis, arquitetura e bens de consumo reflete a busca por materiais responsáveis sem abrir mão da funcionalidade e da estética.