
EUA precisam defender sua liderança em modelos open-weight
Da disputa técnica à disputa geopolítica
A discussão sobre modelos de IA com pesos abertos deixou de ser apenas uma versão contemporânea do “momento Linux” da IA. Em 2026, ela passou a envolver diretamente a liderança global e a posição dos Estados Unidos na competição tecnológica. A autora, defensora do código aberto, sustenta que modelos abertos podem acelerar a inovação, reduzir custos, ampliar a personalização e oferecer mais transparência e controle aos usuários.
O lançamento do Kimi K3, modelo de pesos abertos da chinesa Moonshot AI, intensificou o debate. Apresentado em julho como o principal modelo aberto do mundo, ele teria alcançado capacidades próximas às dos principais modelos fechados americanos. Sua ascensão reacendeu discussões sobre o uso de destilação para reduzir a distância em relação à fronteira tecnológica e sobre a possibilidade de o governo americano restringir o acesso a modelos chineses. Também provocou manifestações de integrantes da OpenAI, da Anthropic e de Jensen Huang, da NVIDIA, que defendeu os modelos abertos como instrumentos de segurança, cibersegurança, inovação, difusão e soberania.
A lacuna americana
Embora os Estados Unidos ainda dominem a fronteira de modelos fechados, a autora afirma que os modelos americanos de pesos abertos são relativamente escassos. Modelos chineses como DeepSeek, MiniMax, Kimi, GLM e Qwen vêm ocupando esse espaço, com sinais de adoção em downloads e participação no mercado de tokens. Um dos motivos apontados para a diferença são os incentivos, especialmente os dos investidores, que favoreceriam modelos proprietários.
A perda de liderança nesse segmento seria relevante porque modelos abertos já participam de forma significativa da construção de sistemas de IA por empresas e desenvolvedores. Segundo uma pesquisa da McKinsey com 700 organizações em 41 países, 63% dos entrevistados usam modelos de código aberto, frequentemente em conjunto com modelos fechados. A autora também cita empresas que consideram modelos abertos mais adequados para casos de uso maduros e potencialmente mais econômicos.
Quem pode reagir
O governo americano poderia apoiar essa liderança por meio de compras públicas e contribuições diretas à inovação aberta, em vez de adotar apenas restrições ou proibições. A academia também teria um papel, como indicariam projetos de pesquisadores ligados ao ecossistema aberto.
Para a autora, porém, a maior oportunidade está nos “suspeitos incomuns”: hiperescaladores e grandes laboratórios. A NVIDIA teria interesse em modelos mais capazes porque sua adoção ampliaria a demanda por computação e infraestrutura; a empresa vem apoiando o ecossistema com iniciativas como Nemotron. A Meta, por sua vez, poderia usar modelos abertos para aumentar atenção, engajamento e retenção em suas plataformas. Depois de um movimento em direção a modelos fechados, a empresa teria retomado sua estratégia aberta ao liberar os pesos de Muse Glimmer, anunciar uma versão aberta de Muse Spark 1.2 e reafirmar seu compromisso com o código aberto. O Google também contribuiria por meio da família Gemma.
A autora reconhece o debate sobre a concentração de poder nas grandes empresas, mas mantém uma visão otimista. Startups, plataformas de inferência independentes de modelo e laboratórios chineses podem demonstrar formas de monetizar pesos abertos, incentivando investidores americanos. Por fim, laboratórios de fronteira dos Estados Unidos poderiam abrir modelos de gerações anteriores para estimular a adoção do ecossistema e manter usuários próximos de suas plataformas.