
Fundadores sem fronteiras transformam redes globais em vantagem
A vantagem de operar entre países
O texto apresenta os “Borderless Founders”, fundadores internacionais que mantêm vínculos com o país de origem enquanto constroem reputação e negócios no Vale do Silício. A tese é que essa posição entre dois ecossistemas pode se transformar em uma vantagem concreta: esses empreendedores conhecem engenheiros e potenciais clientes locais antes que se tornem disputados globalmente, além de poderem recorrer à diáspora para obter contratações, conselhos, parceiros de produto e apresentações comerciais.
Essa vantagem é descrita por meio do conceito de “preferential attachment”, segundo o qual uma startup entra em um ciclo de acumulação crescente de recursos, como executivos qualificados, funcionários técnicos, financiamento, reputação, clientes, receita e influência. Fundadores com redes em mais de um país poderiam acelerar esse processo em três frentes principais. A primeira é a conquista de clientes: relações locais e transnacionais ajudam a obter grandes empresas como primeiros clientes ou parceiros de produto, gerando credibilidade empresarial. A segunda é a marca: reconhecimento e cobertura no país de origem podem projetar a empresa internacionalmente. A terceira é o talento, considerado talvez o benefício mais significativo, pois permite identificar profissionais fortes antes que o mercado mais amplo os descubra.
O papel atribuído à a16z
A Andreessen Horowitz afirma ter criado um “playbook” para acelerar essa acumulação de recursos. A estratégia inclui mapear empreendedores e operadores influentes em cada país, organizar jantares pequenos com fundadores mais experientes e aproximar deles a próxima geração de empreendedores e possíveis contratados. A gestora também defende uma presença física contínua nos mercados de origem, em vez de visitas isoladas, para construir confiança com fundadores e autoridades e ampliar o apoio institucional ao setor de tecnologia local.
Outro eixo é a construção de comunidades dentro das diásporas. A a16z diz ter reunido mais de 600 fundadores e primeiros contratados em sua série de jantares ao longo de cinco anos e afirma buscar talentos promissores antes que se tornem conhecidos. O texto descreve ainda relações mantidas por longo prazo, inclusive com pessoas que só mais tarde ingressaram em empresas ou fundaram startups.
A rede da a16z também seria usada para cruzar fronteiras. Segundo o texto, ela conecta empresas a clientes em outros países, oferece produção criativa e canais próprios para ampliar suas histórias e aproxima fundadores de operadores, consultores e especialistas. Um exemplo citado afirma que uma empresa triplicou o topo do funil de vendas e aumentou sua receita recorrente anual em 70% em poucos meses por meio dessa rede. A gestora também relata ter conectado empreendedores que posteriormente cofundaram uma empresa voltada à redução da burocracia no Brasil.
Conclusão e ressalvas
O artigo sustenta que a globalização das redes, o trabalho remoto e a inteligência artificial reduziram a necessidade de escolher entre o mercado americano e o país de origem. Cita que mais da metade das empresas americanas avaliadas em um bilhão de dólares foi fundada ou cofundada por imigrantes e que 44% dos investimentos da área de aplicativos da a16z nos dois anos anteriores envolveram fundadores internacionais, divididos igualmente entre sedes nos Estados Unidos e no exterior.
A conclusão é que o histórico cultural e profissional do fundador não deve ser tratado apenas como obstáculo, mas como um recurso que pode se acumular entre países. O próprio texto, porém, é uma defesa da abordagem da a16z e inclui uma ressalva de que os exemplos de empresas e investimentos não representam todo o portfólio da gestora.