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Criança adiciona produto ao carrinho enquanto pais usam IA para comparar preços
Marketing & Growth · Produto & Design

Gen Alpha já influencia quase metade dos gastos dos pais

resumo de ~3 min

A influência sobre o orçamento familiar

A chamada Geração Alpha já influencia diretamente 48% dos gastos dos pais nos Estados Unidos e no Reino Unido, segundo uma pesquisa da Teneo com 1.000 crianças nascidas entre 2010 e 2014. O texto ressalva que esse número representa apenas uma fração do poder comercial do grupo, cuja definição inclui crianças nascidas até 2024. A influência se torna especialmente visível em períodos como a volta às aulas, que combinam necessidades práticas, busca por valor e expressão pessoal.

As famílias esperam gastar US$ 922 com a volta às aulas, e 47% planejam gastar mais do que no ano anterior, de acordo com a PwC. O orçamento médio inclui US$ 278 em roupas e calçados, US$ 222 em tecnologia, US$ 161 em equipamentos para atividades extracurriculares, US$ 122 em materiais escolares, US$ 95 em livros e materiais educativos e US$ 44 em outras necessidades pontuais. Para Kelly Pedersen, da PwC, esse gasto inicial pode iniciar uma sequência de compras: as famílias gastariam mais de US$ 600 por mês com a escola, chegando a outros US$ 7.000 ao longo do ano.

As preferências das crianças influenciam 58% das compras de volta às aulas, acima das listas fornecidas pelas escolas, citadas por 55% dos pais, e de promoções e descontos, mencionados por 54%. Na pesquisa da Deloitte, 59% dos pais disseram que as preferências dos filhos os levaram a gastar mais. Além disso, 45% afirmaram que a criança tinha um item indispensável em mente; entre esses casos, 57% disseram que gastariam mais para comprá-lo. O texto observa que essa influência tende a ser maior entre famílias de renda mais alta.

Valor, canais e autonomia

Embora 57% dos pais esperem uma piora da economia, os comportamentos de busca por valor não significam necessariamente gastar menos. Cerca de um terço combina pesquisa, redes sociais e inteligência artificial na jornada de compra, e esses consumidores acabam gastando aproximadamente 14% mais. A interpretação apresentada é que eles procuram obter mais valor pelo dinheiro e se sentem mais confiantes nas decisões, não apenas encontrar o menor preço.

A jornada também se tornou mais distribuída entre canais. A parcela de pais que compram em lojas físicas caiu de 79% em 2025 para 70% neste ano, enquanto 67% usam marketplaces, 49% recorrem ao comércio eletrônico das marcas, 23% às redes sociais e ao marketing de influenciadores e 23% à inteligência artificial. A PwC afirma que 73% das famílias usarão IA para pesquisar marcas, comparar produtos ou planejar o orçamento. Nesse cenário, a lealdade pode permanecer ligada à marca, mas não ao varejista: ferramentas de IA podem ajudar a encontrar o mesmo produto, tamanho e cor em outro estabelecimento por um preço melhor.

A Geração Alpha também exerce influência por meio de smartphones, redes sociais, YouTube, criadores e comunidades de pares. Ao mesmo tempo, os pais continuam sendo uma referência importante. O grupo, porém, tende a rejeitar conteúdo que pareça produzido por IA, enquanto os adultos a utilizam para inspiração e ofertas. Criadores de nicho podem manter maior credibilidade por sua especialização, mas influenciadores muito populares enfrentariam um limite de autenticidade.

Entre os menores de 14 anos, 25% já fazem compras on-line próprias, mesmo sem cartão de crédito ou débito. Para a volta às aulas, 40% dos pais permitiriam que os filhos adicionassem produtos ao carrinho digital, e 31% dariam a eles carrinhos vinculados próprios. A conclusão é que as marcas deveriam tratar a família como um conjunto de consumidores, criando experiências integradas, carrinhos e listas compartilhadas e, possivelmente, programas de fidelidade para públicos mais jovens. Essas ferramentas, contudo, só teriam valor se fizerem parte de ecossistemas capazes de acomodar diferentes canais, preferências e níveis de confiança.