
Jovens trocam aplicativos por encontros presenciais baseados em atividades
Uma reação ao isolamento digital
Millennials e integrantes da Geração Z, acostumados a deslizar por aplicativos, trocar mensagens diretas e consumir transmissões, estão participando mais de encontros presenciais organizados em torno de atividades. O movimento ocorre em meio ao que a fonte descreve como uma epidemia de solidão e inclui práticas antes vistas como solitárias ou associadas a hobbies de pessoas mais velhas, como observar aves, jogar mahjong, jogar xadrez e ler em silêncio na companhia de outras pessoas.
Cole Robinson, presidente do capítulo Audubon on Campus da Trinity University, afirma que é fácil ficar isolado em casa e que a observação de aves pode ajudar a reduzir a sensação de solidão. Esses encontros se aproximam do chamado “convívio social leve”: situações em que as pessoas estão juntas, mas fazer contatos profissionais não é o objetivo principal. Segundo dados da Eventbrite, esse tipo de experiência ganhou força.
Crescimento de atividades coletivas
Dados compartilhados pela Eventbrite com a Axios indicam que houve 151% mais competições de quebra-cabeça entre agosto de 2024 e julho de 2025 do que nos 12 meses anteriores. A comparação considera eventos presenciais e públicos nos Estados Unidos cujas descrições continham linguagem relacionada à conexão. Os dados não correspondem às estatísticas sobre encontros de solteiros mencionadas separadamente.
Eventos centrados em mahjong também cresceram: segundo dados da Evite compartilhados com a Axios, eles aumentaram 94% no início de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. A fonte apresenta esses números como sinais de uma expansão dos encontros presenciais baseados em interesses compartilhados.
Romance e amizades fora dos aplicativos
A tendência também alcança a busca por relacionamentos amorosos. Os chamados eventos “meet-cute” são planejados para favorecer encontros que possam resultar em uma história de como o casal se conheceu, sem depender de aplicativos. As atividades incluem competições de perguntas e respostas, apresentações de PowerPoint, trabalhos manuais e exercícios.
Além da paquera, jantares com desconhecidos voltados a conexões platônicas passaram a atrair participantes. O escritor Stuart Schuffman lançou um clube de jantares presenciais para leitores do Broke-Ass Stuart. Para ele, as pessoas passaram duas décadas presas atrás dos telefones e agora querem mais conexão e menos rolagem interminável de conteúdo negativo.
O movimento não significa necessariamente abandono dos aplicativos, mas mostra uma procura por formas de interação nas quais a atividade compartilhada reduz a pressão de socializar diretamente. A conclusão apresentada é que, diante da solidão e do cansaço do tempo excessivo diante das telas, encontros presenciais simples podem oferecer aos participantes uma maneira de estar com outras pessoas sem transformar toda interação em networking ou em busca explícita por um relacionamento.