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Amostra de pele humana viva em placa de laboratório conectada a modelo de IA
Ciência & Espaço · IA & Modelos

Startup mantém pele humana viva para treinar modelos biológicos

resumo de ~3 min

Uma plataforma de tecido humano vivo

A Outer Biosciences, startup cofundada por Michael Polansky, desenvolveu um sistema para manter pele humana viva fora do corpo por até um mês. O tecido é obtido de cirurgias, principalmente plásticas, por meio de biobancos e intermediários que, segundo a empresa, operam sob supervisão de comitês de ética e com consentimento documentado dos doadores. As amostras chegam desidentificadas, sem nomes, contatos ou outros identificadores diretos.

A empresa afirma ter criado uma estrutura que fornece nutrientes e remove resíduos metabólicos, preservando a arquitetura e programas moleculares próximos aos do primeiro dia. O prazo supera o padrão da indústria, de alguns dias, que permite avaliar toxicidade aguda, mas é curto demais para acompanhar processos mais lentos, como remodelação do colágeno, alteração da pigmentação e reparo da barreira cutânea. Polansky diz que a equipe consegue induzir danos por radiação UVB e observar durante semanas as respostas de estresse, inflamação e recuperação, sem alegar que esteja “curando” a pele.

O ciclo entre experimentos e IA

A tese da Outer Biosciences não depende de um único componente, mas da combinação entre tecido humano real, uma variedade de doadores, condições experimentais controladas e medições moleculares repetidas. Um modelo de IA estima quais substâncias ainda não testadas podem beneficiar uma função específica da pele. A equipe testa essas substâncias no tecido vivo e devolve os resultados - estejam corretas ou não as previsões - ao modelo, aprimorando as rodadas seguintes.

Segundo Polansky, a empresa começou com uma abordagem de força bruta, baseada em literatura científica e em uma parceria com o National Cancer Institute para estudar compostos naturais de ambientes extremos. Essa fase gerou algumas pistas em cerca de 18 meses. Com a IA, a startup diz produzir um novo candidato aproximadamente a cada seis semanas; há seis pistas ativas e várias dezenas de outros resultados registrados. O número de ingredientes ativos conhecidos é limitado: cerca de 120 a 130 aprovados pela FDA em categorias de medicamentos de venda livre para a pele e aproximadamente 200 quando se incluem ingredientes cosméticos com respaldo científico.

A Outer Biosciences descobre ingredientes cosméticos, não medicamentos, e portanto não busca aprovação da FDA para eles. O caminho previsto inclui obter um nome padronizado, realizar testes de segurança segundo diretrizes da OECD e licenciar ou vender os ingredientes para empresas de beleza ou farmacêuticas. Quatro das seis pistas atuais, segundo Polansky, parecem propensas à comercialização. A startup também gera receita com pesquisas colaborativas, incluindo estudos sobre erupções cutâneas provocadas por medicamentos contra o câncer.

Limites e concorrência

A empresa arrecadou aproximadamente US$ 23 milhões e tem 19 funcionários. Seu trabalho de IA roda localmente, não na nuvem, por preocupação com os dados e com demandas computacionais menores que as do treinamento de grandes modelos de linguagem. A Vivodyne, concorrente, desenvolve tecidos de órgãos humanos cultivados em laboratório e anunciou captação próxima de US$ 80 milhões. Outras empresas trabalham com órgãos-em-chip e sistemas microfisiológicos.

Polansky ainda não definiu se a Outer Biosciences será uma empresa de ingredientes, licenciará descobertas ou se concentrará em um único composto. O objetivo imediato é tornar o modelo preditivo preciso o bastante para indicar caminhos promissores sem testar fisicamente todas as possibilidades. Por enquanto, formulação, produção em escala, cadeia de suprimentos e testes de segurança continuam sendo realizados manualmente; criar uma equipe dedicada ao desenvolvimento de produtos está nos planos.