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Mão move peça de cavalo de xadrez entre duas placas de circuito, metáfora da contratação do pai dos TPUs do Google pela Anthropic
Hardware & Chips · Big Tech

Anthropic contrata criador dos chips TPU do Google para seu silício

resumo de ~3 min

Contratação e experiência

Em agosto de 2026, a Anthropic contratou Amir Salek, engenheiro que fundou o programa de chips personalizados do Google e comandou seu negócio de Tensor Processing Units (TPUs), para integrar a equipe de computação liderada por James Bradbury. A informação foi reportada pela Bloomberg, após ser resumida por Dina Bass no X. Salek teria entregado as sete primeiras gerações de TPUs do Google antes de deixar a empresa, em 2022. Antes disso, fundou e liderou a organização de projetos de sistemas em chip da Nvidia. Ele também tem doutorado em engenharia da computação e ciência da computação pela University of Southern California.

A contratação marca seu retorno ao desenvolvimento de chips depois de quatro anos como investidor. Em março de 2022, Salek entrou na Cerberus Capital Management como diretor-gerente sênior e sócio da Tracker Ventures, plataforma voltada a investimentos em semicondutores, IA, computação de borda, aeroespacial e outras áreas de tecnologia profunda.

Um programa de silício, não um chip pronto

A Anthropic já havia confirmado, no início de agosto, que recrutava uma equipe para desenvolver silício personalizado, incluindo engenheiros capazes de levar projetos de semicondutores até a produção. A chegada de Salek reforça esse esforço com experiência na criação de uma organização de chips dentro de uma empresa originalmente concentrada em software e infraestrutura. No Google, ele ajudou a estabelecer uma capacidade própria de chips que depois foi usada nos data centers e nos negócios de nuvem da companhia.

Ainda assim, a contratação não coloca imediatamente um processador da Anthropic em operação. Um acelerador competitivo para IA exige arquitetura, verificação, software, redes, encapsulamento, fabricação e anos de iteração. O histórico de Salek é relevante porque inclui não apenas o desenvolvimento de um primeiro chip, mas várias gerações de silício e a infraestrutura necessária para operá-las em escala de data center.

A Anthropic também já acumulou experiência na adaptação de seus sistemas a hardware especializado. Em 2024, informou que seus engenheiros escreviam kernels de baixo nível para os aceleradores Trainium da Amazon, contribuíam para a pilha de software AWS Neuron e trabalhavam com a Annapurna Labs, da Amazon, em futuras gerações de chips.

Uma opção própria ao lado dos fornecedores

A iniciativa não representa uma ruptura com os fornecedores atuais. A Anthropic treina e executa o Claude em GPUs da Nvidia, TPUs do Google e chips Trainium da Amazon, combinando diferentes plataformas para distribuir cargas de trabalho e reduzir a dependência de uma única empresa. A Amazon continua sendo sua principal parceira de nuvem e treinamento.

Os compromissos externos também estão crescendo. Em outubro de 2025, a Anthropic afirmou que planejava usar até um milhão de TPUs do Google, com mais de um gigawatt de capacidade previsto para 2026. Em abril, anunciou com Google e Broadcom um acordo para vários gigawatts de capacidade de TPUs de próxima geração a partir de 2027.

A estratégia, portanto, é manter acesso à capacidade de Nvidia, Google e Amazon enquanto se constrói uma alternativa interna. Um silício próprio poderia dar à Anthropic mais controle sobre oferta, consumo de energia e custo de atendimento do Claude. O próximo teste será transformar a experiência de Salek em um programa recorrente de chips, e não em um experimento único e caro.