
E-commerce dos EUA volta a crescer dois dígitos e soma US$ 340 bi
O retorno do crescimento de dois dígitos
O comércio eletrônico dos Estados Unidos registrou US$ 340,2 bilhões em vendas no segundo trimestre de 2026, em dados ajustados sazonalmente pelo U.S. Census Bureau. O resultado representa alta de 12,2% em relação ao mesmo período de 2025 e marcou o segundo trimestre consecutivo de crescimento anual de dois dígitos: no primeiro trimestre, a expansão havia sido de 10,1%, com vendas de US$ 327,9 bilhões. No primeiro semestre, o setor acumulou US$ 668,1 bilhões, 11,1% acima do registrado um ano antes.
O desempenho também superou o varejo americano como um todo. As vendas totais, somando comércio eletrônico e lojas físicas, cresceram 6,7% no segundo trimestre, cerca de metade do ritmo do canal on-line. Com isso, a participação do comércio eletrônico no varejo subiu de 16,3% no segundo trimestre de 2025 para 17,1% em 2026. Esses números sugerem que o setor ganhou impulso próprio, em vez de apenas acompanhar um aumento geral dos gastos no varejo.
Da aceleração da pandemia à retomada
A comparação com os anos anteriores ajuda a dimensionar o movimento. Antes da pandemia, as vendas on-line já cresciam: no quarto trimestre de 2019, a alta anual foi de 16,2%. Com as restrições e os fechamentos do comércio presencial nos Estados Unidos, o crescimento chegou a 53,5% no segundo trimestre de 2020 e permaneceu acima de 40% nos três trimestres seguintes. Depois, o ritmo desacelerou gradualmente, alcançando 5,1% no segundo trimestre de 2022.
Em 2025, a expansão voltou a ganhar força, passando de 5,0% no segundo trimestre para 5,3% no terceiro e 5,9% no quarto. A aceleração atingiu os dois dígitos em 2026, mas ainda não está claro se representa uma mudança duradoura ou um desvio pontual.
Há duas ressalvas importantes. Os números do Census Bureau não são corrigidos pela inflação, portanto parte do aumento pode refletir preços mais altos. Além disso, a Amazon transferiu o Prime Day para junho, o que pode ter deslocado bilhões de dólares em compras do terceiro para o segundo trimestre.
Diferenças entre categorias e impacto real
O crescimento não foi uniforme. No segundo trimestre, mercadorias em geral avançaram 21,6%; artigos esportivos, hobbies, livros e produtos relacionados, 20,4%; materiais de construção e jardinagem, 11,5%; saúde e cuidados pessoais, 9,3%; alimentos e bebidas, 8,1%; móveis e artigos para casa, 4,6%; e vestuário e acessórios, apenas 3,8%.
A taxa percentual, porém, não determina sozinha a contribuição para o mercado. Mercadorias em geral adicionaram aproximadamente US$ 8,3 bilhões em vendas, enquanto materiais de construção e jardinagem acrescentaram US$ 1,4 bilhão. Alimentos e bebidas adicionaram US$ 775 milhões; artigos esportivos, hobbies e livros, US$ 673 milhões; vestuário e acessórios, US$ 592 milhões; e saúde e cuidados pessoais, US$ 220 milhões. Assim, uma categoria que cresce mais lentamente pode ter impacto maior se operar em uma base ampla. Os resultados também variam conforme a combinação de produtos, preços, marketplaces, localização e perfil dos clientes de cada empresa.
Os próximos trimestres devem indicar se a aceleração persistirá. Um mercado mais saudável poderia justificar investimentos adicionais em estoque, aquisição de clientes, tecnologia e capacidade de logística, mas os dados também apontam para condições econômicas desiguais entre produtos, canais e categorias.