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Capelo de formatura sobre notebook com mudas brotando do teclado, metáfora de universidades dando tempo a fundadores estudantes
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Paul Graham: universidades devem dar tempo aos fundadores

resumo de ~3 min

O que as universidades deveriam formar

A proposta central é que universidades que queiram preparar fundadores não devem criar um currículo específico de empreendedorismo. O objetivo seria formar pessoas capazes de construir coisas e habituadas a fazê-lo. Para startups, o desafio decisivo está no produto: saber o que construir e conseguir construí-lo. Essa capacidade viria sobretudo do estudo de ideias poderosas e de áreas como ciência da computação, engenharia mecânica e biologia molecular, não de administração ou finanças. Mesmo que IAs escrevam a maior parte do código, estudar ciência da computação continuaria valioso para compreender a resolução de problemas e exercer bem a função de gestor de engenharia.

A recomendação não é limitar os estudantes à engenharia. Qualquer conhecimento ligado a construir ou criar pode ser útil; o texto cita o impacto do estudo de caligrafia para Steve Jobs e o fato de Mark Zuckerberg ter estudado psicologia, embora programasse bem. Como os clientes se importam com o produto, não com a formação acadêmica dos fundadores, os estudantes deveriam buscar áreas de interesse genuíno e desenvolver a capacidade de criar.

Cultura e projetos próprios

Segundo a proposta, só seriam necessárias duas mudanças: fazer os estudantes perceberem que iniciar uma startup é uma possibilidade viável e incentivá-los a trabalhar em projetos próprios. Dados de candidaturas à Y Combinator são usados como indicador desse efeito cultural: ex-alunos de Harvard se candidatam aproximadamente duas vezes mais que os de Yale e Princeton. Como os grupos provavelmente não são tão diferentes, a explicação sugerida é que iniciar startups seja mais habitual em Harvard; tornar essa opção visível poderia ao menos dobrar o número de fundadores em outras universidades.

Ver fundadores pessoalmente ajudaria a romper a ideia de que eles pertencem a uma categoria distante. Ao relatarem sua inexperiência e seus erros iniciais, eles pareceriam simultaneamente impressionantes e acessíveis. Fundadores mais jovens, mesmo menos ricos e famosos, poderiam ser mais inspiradores por serem mais fáceis de identificar.

Projetos próprios teriam quatro funções: aprofundar o aprendizado mais que a preparação para provas; permitir que futuros cofundadores descubram se trabalham bem juntos; acostumar os estudantes à autonomia de um projeto sem professor ou chefe; e gerar ideias de startup. Ideias promissoras frequentemente parecem implausíveis no início, por isso procurar diretamente uma ideia de negócio pode ser menos eficaz que desenvolver projetos aleatórios que despertem interesse. Essa é também a razão pela qual a Y Combinator daria mais importância aos projetos realizados pelos candidatos que às médias acadêmicas.

Tempo livre e autonomia

O principal obstáculo seria liberar tempo. O texto usa o período entre o fim das aulas e o início das provas em Harvard como exemplo: Microsoft e Meta começaram durante esse intervalo, quando os estudantes estavam no campus e não tinham uma entrega imediata. A conclusão é que reduzir a pressão de trabalhos por uma ou duas semanas poderia beneficiar todos os estudantes ambiciosos, não apenas os futuros fundadores. Alguns desperdiçariam o tempo, e o resultado médio poderia melhorar mesmo sem alterar a mediana.

As universidades deveriam deixar esses projetos serem dos alunos, sem transformá-los em iniciativas oficiais. Projetos novos podem violar regras institucionais, como ocorreu com experiências de Bill Gates e Zuckerberg; por isso, o texto defende tolerância a atividades não convencionais, chegando a citar estudantes que voam drones fora da linha de visada.

O que evitar

Não seria possível ensinar a iniciar startups em uma disciplina convencional: essa aprendizagem exige fazer, e administrar uma empresa adequadamente é incompatível com ser estudante em tempo integral. Competições de planos de negócio seriam não apenas ineficazes, mas enganosas, ao fazer parecer que captar recursos e convencer investidores é o núcleo da atividade. O essencial seria construir protótipos que atraiam usuários. Em vez de pensar em startups sem construir nada, os estudantes deveriam construir coisas sem decidir antecipadamente se elas se tornarão empresas.

O caminho ideal pareceria silencioso e não exigiria novos prédios ou administradores de empreendedorismo; recursos extras deveriam ser destinados às áreas que ensinam a construir. Escolas de negócios, voltadas historicamente à formação de gestores de grandes empresas, também não seriam o ingrediente central para fundar startups. Uma cultura orgânica, baseada em conhecimento profundo, tempo e projetos próprios, poderia revelar seus resultados quando vários estudantes passassem a criar empresas bem-sucedidas.