
Skills de agentes fora do inglês saltam de 13% para 16,3%
O que os números medem
A análise examina as SKILL.md, arquivos que contêm instruções em prosa para agentes de IA e são carregados quando o agente considera a tarefa relevante. A especificação foi publicada pela Anthropic em outubro de 2025. Nove meses depois, o conjunto analisado reunia 3,8 milhões de arquivos em 282.200 repositórios públicos; após deduplicação, restaram 1.870.299 conteúdos distintos. O inglês respondia por 85,3%, seguido por chinês (6,2%), japonês (1,7%), alemão (1,6%), coreano (1,2%), português (1,1%), espanhol (0,9%) e francês (0,4%). Considerando também os casos abaixo do nível mínimo de confiança do identificador, 14,3% dos conteúdos não eram em inglês.
Esse percentual não mede diretamente quanto do ecossistema está fora dos Estados Unidos: Índia, Nigéria e Singapura escrevem majoritariamente em inglês e ficam invisíveis nessa contagem. Por isso, 14,3% deve ser interpretado como um piso. Em comparação, documentação de repositórios do GitHub foi estimada em 13,0% não inglesa em um estudo de 2026. O conjunto de skills é parecido no total, mas tem participação chinesa maior: 6,2%, contra 3,3% na documentação.
A alta e suas verificações
Entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, a proporção de novas skills não inglesas subiu de 13,0% para 16,3%, em 255.068 registros, com intervalos de confiança de 95% bem separados. A série mensal oscilou - caiu a 10,9% em fevereiro -, mas passou de 13,1% em janeiro a 17,6% em junho. O aumento foi puxado principalmente por idiomas europeus agrupados, que avançaram 2,8 pontos percentuais, e pelo chinês, que subiu 1,1 ponto. O japonês caiu 0,7 ponto e o coreano, 0,2. A coleta de julho foi parcial e não entrou nas comparações.
Números publicados sobre outras bases variam de 65,0% a 99,7% de participação inglesa. A análise atribui a diferença sobretudo à população observada: mercados curados, recortes temáticos e buscas iniciadas em inglês produzem resultados distintos. Dois identificadores de idioma aplicados aos mesmos documentos concordaram em 97,6% dos casos, e filtros de qualidade quase não alteraram a proporção. A tendência também persistiu ao controlar a cópia de arquivos e ao contar cada repositório uma única vez. Horários de commit oferecem uma confirmação adicional, mas apenas em escala populacional: não permitem localizar autores individualmente nem distinguir fusos próximos.
Propagação, manutenção e autoria
Skills em inglês são mais copiadas: a parcela não inglesa cai de 15,7% entre as que não tiveram cópias para 5,8% entre as copiadas seis vezes ou mais. Excluir repositórios agregadores ou contar proprietários distintos mantém - e em alguns casos amplia - essa diferença. Em contrapartida, skills não inglesas são revisadas mais cedo e com maior frequência: nos primeiros 7, 30 e 90 dias, as taxas são, respectivamente, 15,7%, 26,9% e 33,9%, contra 14,4%, 21,7% e 28,7% entre as inglesas.
A explicação proposta é que a descoberta depende de correspondência textual: buscas em inglês tendem a não encontrar instruções em chinês ou outros idiomas, mesmo que um modelo multilíngue possa executá-las. Assim, o ecossistema pode estar se internacionalizando primeiro no que é escrito e só depois no que é reutilizado. Além disso, 30,4% das skills têm um registro de commit que nomeia um agente de IA, enquanto a plataforma identifica apenas 1,0% como bots. Claude responde pela maioria desses registros, mas o número é um piso, pois trailers podem ser removidos ou nunca ser produzidos.
Limites
O estudo não determina se uma skill não copiada funciona pior ou apenas não foi encontrada. Também observa apenas arquivos sobreviventes, não mede a primeira aparição global do conteúdo e pode classificar como inglês textos de outros idiomas com muitos termos técnicos. Dados independentes sobre crescimento de desenvolvedores e adoção de IA fora dos Estados Unidos apontam na mesma direção, mas não medem skills. Para avaliar impacto real, seriam necessários rastros de execução. A conclusão sustentada pelos dados é mais restrita: a parcela observável de skills não inglesas está crescendo rapidamente, enquanto o próprio indicador subestima a presença internacional do ecossistema.