stamatios
← Voltar ao feed
Livro ilustrado aberto com pixels vazando das páginas, metáfora dos livros infantis feitos por IA
IA & Modelos

Livros infantis gerados por IA invadem lojas e bibliotecas

resumo de ~3 min

Uma produção em massa de baixa qualidade

Livros infantis gerados por inteligência artificial estão aparecendo em lojas, bibliotecas e plataformas de venda, provocando críticas de pais, artistas e educadores. Relatos compartilhados nas redes sociais descrevem obras com texto sem sentido, ilustrações incoerentes, problemas de diagramação e atividades impossíveis de realizar. Em um caso, uma estudante de ilustração publicou a imagem de um livro encontrado em uma loja cujo título mal podia ser lido na capa, enquanto texto e imagens aparentavam ter sido produzidos por IA. A publicação recebeu mais de 60 mil curtidas e centenas de comentários de pessoas que relataram problemas semelhantes.

Os exemplos incluem personagens que mudam de aparência entre as páginas, cores de cabelo descritas de uma forma e desenhadas de outra, histórias sem lógica e labirintos ou exercícios sem solução. Um pai contou que seus filhos ficaram entediados com livros personalizados recebidos de presente. Para críticos, o problema não é apenas o uso de IA: mesmo sem considerar a origem do material, muitos desses livros seriam ruins por causa da escrita, da composição visual e da falta de cuidado com o público infantil.

Personalização, privacidade e valor literário

Google lançou no ano anterior uma ferramenta para criar livros de histórias, e outras empresas passaram a oferecer serviços que permitem enviar fotos e informações sobre pessoas reais para gerar uma narrativa posteriormente impressa. Essa possibilidade gerou conflitos familiares. Alguns avós deram livros personalizados como presentes, mas pais se incomodaram com o uso de nomes, experiências, fotos e características de seus filhos em ferramentas cujas políticas de transparência sobre dados consideram pouco claras.

Daozhi Xu, pesquisadora da Macquarie University e autora de um estudo sobre a expansão desse tipo de publicação, afirma que crianças não gostam de um livro apenas porque seu nome ou imagem aparece nele. Segundo ela, o interesse depende de a história ser envolvente; livros gerados por IA frequentemente não têm humor, personagens memoráveis nem tensão dramática.

Impacto sobre a formação

A publicação argumenta que livros ilustrados não são poemas acompanhados aleatoriamente por imagens. A arte participa da forma como a obra educa e envolve as crianças, enquanto textos bem elaborados podem contribuir para o aprendizado de simbolismo, nuance, criatividade e lógica. A exposição contínua a frases desajeitadas, narrativas incoerentes e imagens genéricas poderia prejudicar o desenvolvimento linguístico e das habilidades interpretativas, com efeitos que talvez ultrapassem os setores editorial e de ilustração.

A IA generativa pode tornar algumas tarefas mais rápidas e fáceis, mas isso também permite produzir grande quantidade de material ruim na esperança de encontrar compradores. O texto sustenta que crianças parecem estar sendo tratadas como um mercado fácil, menos propenso a reclamar. Como resposta, recomenda que os pais verifiquem melhor o que compram e que livrarias e bibliotecas reforcem o controle de qualidade. A conscientização pode ajudar, mas a fonte alerta que, se o contato infantil com literatura for dominado por obras de baixa qualidade, a relação de longo prazo com a arte e os livros poderá ser afetada.