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Multidão de robôs apertada em catraca vigiada por guarda, metáfora do crescimento do tráfego de agentes bloqueado
Agentes

Tráfego de agentes cresce 7.851% e bloqueios disparam sem política

resumo de ~3 min

O tráfego mudou, mas os instrumentos não

O tráfego de agentes de IA deixou de ser um fenômeno marginal. Segundo dados da HUMAN, ele cresceu 7.851% em 2025, enquanto a automação avançou oito vezes mais rápido que o tráfego humano. Ao mesmo tempo, equipes de segurança e marketing continuam organizando seus sistemas em apenas duas categorias: pessoas e bots. Essa divisão já não descreve adequadamente quem acessa os sites, e cada área sofre consequências diferentes.

Para a segurança, modelos antifraude e de detecção de bots foram treinados sobre padrões humanos. Agentes com credenciais legítimas podem ser bloqueados por não se comportarem como pessoas, enquanto agentes maliciosos podem passar pelos controles ao imitar esse comportamento. Para o marketing, o problema é menos visível: métricas de atribuição presumem que uma pessoa percorreu o caminho de compra. Um agente pode pesquisar vários sites e concluir a compra em apenas um, fazendo com que os demais registrem rejeições e o vencedor pareça ter recebido uma conversão sem origem clara. Menos da metade dos profissionais de marketing seniores entrevistados pela HUMAN afirmou distinguir com confiança tráfego humano, de bots e de agentes, embora 76% planejem otimizar suas estratégias para a IA.

Bloqueio sem política

A reação predominante tem sido bloquear. A proporção de tráfego de agentes bloqueado, porém, teria subido de 8,9% para 21% em um mês, segundo os números de agosto de 2026 da HUMAN, em grande parte sem uma política explícita. O texto alerta que isso pode afastar compradores: rastreadores usados por agentes de compra fazem pesquisas preliminares; se forem bloqueados, o comprador pode nunca chegar ao site. Um agente frustrado tende a concluir a compra com um concorrente, e o cliente pode interpretar a barreira como um site quebrado.

A alternativa defendida é permitir ações com salvaguardas específicas. Um varejista poderia impedir a criação automatizada de contas, mas permitir que um agente verificado conclua uma compra para um cliente existente. Isso exige saber em nome de qual cliente o agente atua, algo que o comportamento isolado não revela. Em uma pesquisa com mais de 2.300 americanos, 64% planejavam usar IA nas compras de fim de ano de 2025, e quase três em quatro aceitavam que um navegador de IA comprasse diretamente.

Identidade, governança e marketing

A tese central é que a confiança depende de três etapas: visibilidade, identidade e governança. Hoje, a identidade dos agentes não pode ser determinada de forma confiável a partir do lado do site. OpenAI, Anthropic e outros provedores de plataformas de agentes precisariam incluir uma declaração de identidade em cada ação. Até lá, as empresas só conseguem fazer correlação entre sessões, comportamento, contas, redes e operadores - uma técnica útil, mas que não deve ser vendida como identidade resolvida.

A recomendação imediata é fazer um censo do tráfego automatizado. Rastreadores de treinamento representariam 67,5% do tráfego impulsionado por IA, e 79% da atividade de agentes ocorreria em páginas de produto e busca; apenas cerca de 2% chegaria ao checkout. Isso transforma a legibilidade para agentes em uma questão de produto e marketing: dados estruturados, páginas interpretáveis e fluxos estáveis passam a ser tão importantes quanto a experiência visual para humanos.

O texto também aponta um vazio organizacional. Em pesquisas da HUMAN, 19% dos profissionais disseram que ninguém monitora o tráfego de agentes, e apenas 5% atribuíram essa função à segurança. A proposta é reunir CISO, CMO e o responsável pela experiência digital para definir o que está sendo observado, quais agentes são desejáveis e quem decide as permissões. A conclusão é que os agentes já chegaram à infraestrutura das empresas; sem visibilidade e regras coordenadas, eles podem ser clientes, parasitas ou atacantes sem que a organização consiga diferenciá-los.