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Chef tempera pratos idênticos de formas diferentes para dois clientes, gosto como habilidade e não dom
Produto & Design

Bom gosto não existe como dom: é uma habilidade de decisão

resumo de ~3 min

Tese: gosto é decisão, não dom

O texto defende que não existe um “bom gosto” objetivamente válido. Gosto é a capacidade de escolher entre possibilidades, e uma escolha só pode ser considerada boa em relação a um objetivo e a um público. Por isso, o gosto pessoal, o gosto de críticos e curadores e o gosto comercial - associado à capacidade de agradar a milhões de pessoas - são formas diferentes, sem que uma seja inerentemente mais legítima que as outras.

O caso de Jackson Pollock ilustra essa relatividade. As pinturas por gotejamento haviam alcançado sucesso crítico e comercial, mas suas obras posteriores, mais escuras e figurativas, foram recebidas com ceticismo. O texto afirma que Pollock não necessariamente perdeu o gosto; sua visão mudou, enquanto o gosto de seu público não acompanhou a mudança. A tensão entre a sensibilidade do criador e a reação da audiência também aparece na diferença entre artistas inovadores que são reconhecidos em vida e aqueles cuja obra só é valorizada posteriormente.

Gosto, curadoria e ofício

Para o autor, gosto está mais próximo de curadoria do que de criação. Antes de escolher, é preciso compreender o espaço de possibilidades e saber se a alternativa certa sequer está entre as opções disponíveis. Gosto envolve identificar o que importa e organizar decisões em um resultado que pareça adequado - sempre para alguém específico.

Gosto também não é o mesmo que técnica. Todos conseguem reconhecer filmes, músicas, produtos ou restaurantes de que gostam, mas isso não significa ter habilidade para produzi-los. Quem tem gosto desenvolvido, mas pouco domínio técnico, pode ser um bom crítico, capaz de explicar o que funciona e distinguir o excepcional do medíocre. O criador precisa ainda reduzir a distância entre o que imagina e o que consegue realizar.

Como o gosto se desenvolve

A crítica é apresentada como um exercício para fortalecer o gosto. Em vez de apenas classificar algo como bom ou ruim, é preciso perguntar do que se gosta, por que se gosta, se o público também gosta e por que ele reage dessa maneira.

O texto destaca dois desalinhamentos produtivos: quando a audiência gosta de algo que o criador não aprecia, situação que permite entender melhor o público; e quando o criador gosta de algo que não encontra adesão, o que pode indicar um conceito fraco, uma execução inadequada, um desencontro com a audiência ou uma inovação que o público ainda não aprendeu a valorizar. O gosto se forma no equilíbrio entre atender às pessoas e preservar uma sensibilidade própria.

IA e o risco de terceirizar decisões

A inteligência artificial torna a técnica mais acessível: pessoas sem formação em ilustração, programação ou música podem começar a produzir. Ao mesmo tempo, ela pode assumir não apenas a execução, mas também decisões sobre argumento, estrutura, composição, hierarquia e linguagem. Como essas decisões constituem o núcleo do gosto, delegá-las em excesso tende a produzir “slop”: o acúmulo de padrões e escolhas não examinados.

Modelos melhores podem tornar os padrões mais convincentes, mas não eliminam o problema de um padrão continuar sendo um padrão. A familiaridade faz com que recursos antes impressionantes percam efeito. O risco principal, portanto, não é terceirizar o trabalho, mas terceirizar as decisões.

A recomendação é usar a IA intensamente para ampliar a exploração e com cautela na escolha final. O fluxo preferível é enquadrar o problema, explorar alternativas, criticá-las, explorar novamente, selecionar e refinar - mantendo a pessoa no circuito decisório. O gosto se desenvolve pela interação contínua com o mundo: observar reações, compará-las às do público desejado, criar algo e devolvê-lo à avaliação.