
IA espalha novas empresas para fora das grandes cidades dos EUA
Tese e evidências
A formação de empresas nos Estados Unidos parece estar mais descentralizada na era da IA. Segundo dados da Stripe, quase 40% dos novos negócios registrados na plataforma em 2026 estão em regiões metropolitanas com menos de 1 milhão de habitantes, uma participação 10% maior que quatro anos antes. Em Cheyenne, no Wyoming, foram criadas neste ano duas vezes mais empresas por habitante do que em Nova York; em 2022, as taxas das duas cidades eram iguais.
O movimento não começou com a IA. A atividade empreendedora já vinha se deslocando das grandes regiões metropolitanas para centros secundários desde antes da pandemia, e a mudança se intensificou durante a adoção do trabalho remoto. Ainda assim, a trajetória continuou nos anos recentes e parece ter acelerado novamente a partir de 2024, coincidindo com a chamada era da IA. De acordo com o texto, essa mudança também aparece em dados do Census e tem aproximadamente um terço da dimensão do deslocamento observado durante a pandemia.
Cidades menores, como Hinesville, na Geórgia, Cheyenne e Fayetteville, na Carolina do Norte, aparecem entre os locais com maior densidade de novos negócios. Já Nova York, Los Angeles e San Francisco registram formação de empresas abaixo da média esperada para o tamanho de suas populações. Como o número absoluto de novos negócios aumentou em todo o país, a comparação relevante é a participação relativa de cada localidade: ela caiu nas dez maiores regiões metropolitanas e nas áreas com mais de 1 milhão de habitantes, enquanto cresceu em regiões menores e áreas micropolitanas.
Subúrbios e limites da interpretação
Dentro das grandes regiões metropolitanas, os novos negócios também estão menos concentrados nos centros urbanos e nas áreas de maior densidade. Cerca de 80% dos registros ocorrem fora do centro e do anel interno de alta densidade. Em Houston, 37% das novas empresas foram abertas nos subúrbios externos em 2026, quatro pontos percentuais acima de 2023; tendência semelhante aparece na maioria das grandes regiões analisadas.
Os dados são compatíveis com a hipótese de que a IA reduz parte do valor das chamadas economias de aglomeração, ao preencher lacunas de capacidade que antes exigiam colaboradores com habilidades complementares. Mas não permitem atribuir a mudança exclusivamente à IA. O trabalho remoto é um fator de confusão importante, e a interação entre os dois fenômenos é difícil de separar. Embora a formação de empresas não pareça correlacionada à intensidade do trabalho remoto entre regiões ou dentro delas, isso não prova que a distribuição observada existiria sem as mudanças provocadas pelo trabalho remoto.
A fronteira tecnológica continua concentrada
A descentralização não vale igualmente para todos os negócios ligados à IA. O texto classifica as empresas da era da IA em laboratórios de IA, empresas cujo produto incorpora IA e negócios habilitados por IA que vendem produtos não relacionados diretamente à tecnologia. Quanto mais próxima da fronteira tecnológica, maior a concentração geográfica: quase 80% dos laboratórios estão em San Francisco; entre as empresas de produtos de IA, 50% ficam em San Francisco ou nas dez maiores regiões metropolitanas. As empresas apenas habilitadas por IA são as mais distribuídas pelo país.
A conclusão é que a IA pode estar ampliando a criação de negócios fora das grandes cidades, mas a aglomeração continua relevante para a inovação de fronteira, provavelmente pelos benefícios de infraestrutura, mercados de trabalho e circulação de conhecimento tácito. A fonte também ressalva que a relação causal entre IA, trabalho remoto e descentralização ainda não está estabelecida.