
Relatório CBI: design deve integrar IA ao fluxo, não isolá-la
Da experimentação à operação
O relatório The Adoption Decade, divulgado pela Confederation of British Industry (CBI) e pela Oliver Wyman, afirma que a primeira fase de testes com IA está chegando ao fim. Para estúdios independentes e equipes criativas internas, o desempenho não deve ser medido pela quantidade de ferramentas generativas experimentadas, mas pela capacidade de integrá-las às operações centrais do negócio. O documento chama de “divisão de execução” a distância crescente entre empresas que mantêm projetos-piloto isolados e aquelas que incorporam a IA a modelos operacionais de ponta a ponta.
Embora 63% das empresas pesquisadas tenham relatado avanço em direção ao uso ampliado ou agentivo de IA em design de produtos e pesquisa e desenvolvimento, o relatório não associa ganhos de lucratividade à simples distribuição de ferramentas como ChatGPT ou Gemini. Em equipes de design, especialmente na manufatura, o valor estaria em conectar a geração digital inicial de conceitos aos fluxos posteriores de compras, montagem e entrega. A experiência relatada em um encontro com fabricantes de automóveis também indicaria que o uso da IA já ultrapassa o software de design.
Ampliação do trabalho, não apenas substituição
Segundo o relatório, os ganhos econômicos de curto prazo vieram mais da ampliação da capacidade dos trabalhadores do que de cortes de pessoal. A IA acelera a exploração inicial de conceitos e a prototipagem rápida. Modeladores 3D consultados passaram a apresentar aos stakeholders ideias mais completas antes da etapa trabalhosa e cara de modelagem, embora não usem a ferramenta para o trabalho final.
À medida que o software assume parte da execução técnica, ganham importância habilidades que não seriam automatizadas com facilidade: bom gosto, julgamento crítico, inteligência emocional e capacidade de auditar resultados produzidos por IA. Assim, a tecnologia é apresentada como uma mudança estrutural na operação, e não apenas como uma forma de escrever instruções melhores.
Direitos autorais e origem dos ativos
Treinar ou ajustar modelos com ativos de clientes ou trabalhos de terceiros envolve riscos jurídicos relevantes. Uma revisão governamental em andamento, mencionada no texto, afirmou em março de 2026 que ainda existe ambiguidade enquanto não houver mais evidências e uma reforma da legislação de direitos autorais. Por isso, as empresas de design são orientadas a estabelecer protocolos claros de licenciamento de dados, metadados e rastreabilidade dos ativos. O texto prevê que clientes exigirão cada vez mais provas de que os projetos gerados são juridicamente válidos e comercialmente protegidos antes da aprovação.
A formação de profissionais iniciantes
A automação de tarefas rotineiras, como desenho técnico, geração de imagens conceituais e layouts básicos, pode reduzir as posições de entrada e transformar a estrutura tradicional dos estúdios, descrita como uma pirâmide, em um “losango”. Sem caminhos alternativos de aprendizagem, o fluxo de formação de talentos poderá ser prejudicado. Uma pesquisa recente citada no texto sugere queda de 50% nas vagas para recém-formados em comparação com o ano anterior.
Os líderes de design são instados a redesenhar as funções iniciais em torno de fluxos assistidos por IA, ensinando desde o começo a orientar, avaliar e refinar resultados sintéticos. A adoção pode elevar a produção e a eficiência para um mesmo orçamento, mas o texto alerta que a pressão competitiva por preços pode levar empresas a ignorar o custo da formação profissional. As consequências dessa escolha talvez só sejam percebidas daqui a cerca de uma década.