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Gato sereno dentro de caixa de vidro ao lado de chip quântico, metáfora da computação quântica viva e morta ao mesmo tempo
Ciência & Espaço

Computação quântica: entre o progresso real e a ameaça à criptografia

resumo de ~3 min

O que é um computador quântico

A reportagem da Bloomberg Businessweek descreve a física da computação quântica por meio da IQM Quantum Computers, empresa finlandesa que mantém uma das chamadas 'goteiras' - torres de cabos trançados e cobre dourado usadas para resfriar chips a cerca de 0,01 grau acima do zero absoluto, mais frio que o espaço sideral. O processamento depende de qubits, unidades de informação que, diferentemente dos bits binários, existem em 'superposição', combinando estados até serem medidos, e usam interferência quântica para suprimir respostas erradas. A maior máquina da IQM tem 150 qubits, mas a indústria diz que aplicações práticas exigirão máquinas de um milhão de qubits; a IQM espera chegar lá até 2033.

Promessa e ameaça

Os defensores prometem que as máquinas poderão ajudar a encontrar curas para doenças, conter as mudanças climáticas e revolucionar as finanças. O risco paralelo é criptográfico: quando um computador quântico conseguir quebrar a matemática por trás da criptografia, carteiras de Bitcoin, segredos de governos e bancos ficarão expostos - o chamado Q-Day. Um artigo recente de pesquisadores do Google estimou que isso pode ocorrer já em 2029 e que quebrar a criptografia exigiria menos de 500.000 qubits. Travis Humble, do Oak Ridge National Laboratory, resumiu o duplo sentimento dos pesquisadores: empolgação e preocupação de que a coisa esteja funcionando.

História e desafios técnicos

A área começou como teoria nos anos 1980 e ganhou impulso em 1994, quando Peter Shor criou um algoritmo capaz de fatorar números primos rapidamente - tarefa que sustenta a criptografia moderna. O hardware é frágil: qubits podem ser medidos por poucos milionésimos de segundo, interferem entre si e são sensíveis a caminhões passando perto do laboratório ou correntes elétricas espúrias. Em 2019, o Google anunciou que sua máquina de 53 qubits resolveu em 200 segundos um problema que levaria 10.000 anos a um supercomputador, gerando disputa sobre a 'supremacia quântica' e uma onda de investimentos.

Disputas e hype

Não há consenso sobre a arquitetura vencedora: além dos supercondutores, há íons presos (apost da Universal Quantum, cujo cofundador Sebastian Weidt acha possível escalar a um milhão de qubits sem as goteiras), armadilhas magnéticas, partículas de luz e chips de silício. A tendência recente é melhorar o software para compensar hardware imperfeito em vez de esperar máquinas tolerantes a falhas - Charina Chou, do Google, diz que a empresa passou cinco anos reduzindo erros. O setor tem histórico de alegações contestadas: a PsiQuantum divulgou planos de entregar um milhão de qubits em dois anos, algo que concorrentes duvidam; a Microsoft anunciou o 'primeiro' processador com qubits topológicos, mas a física Winfried Hensinger acusou a empresa de mentir, e estudos anteriores da companhia foram retratados ou corrigidos; o HSBC divulgou um teste com IBM 34% melhor na previsão de trades de títulos, questionado por Scott Aaronson como cheio de 'red flags'. A IBM reivindicou em 2026 uma 'vantagem quântica' com a Universidade de Chicago, em preprint sem revisão por pares, e o CEO Arvind Krishna mantém a previsão de avanços em modelagem de clima e aerodinâmica. A física Sabine Hossenfelder critica o 'hype' do setor.

Geopolítica e dinheiro

Governos comprometeram cerca de US$ 50 bilhões neste ano, segundo a Quantum Business Network; quase um terço é da China. O governo Trump anunciou US$ 2 bilhões para empresas quânticas, metade para uma fábrica da IBM. A Europa, temendo repetir o que vê como perda da oportunidade em IA - reforçada pela restrição americana a um modelo da Anthropic -, trata quantum como soberania tecnológica: a Finlândia financiou a IQM, a Alemanha comprou máquinas, e a Dinamarca apoia a QuNorth, que começou a receber componentes da Magne, máquina de 1.200 qubits construída pela Microsoft. A IQM estreou na bolsa via SPAC, captando US$ 1,8 bilhão, movimento comum no setor mas visto com ceticismo por Weidt, que cita pressão para exagerar o progresso. Goetz reconhece que as máquinas atuais ainda são 'modelos de brinquedo' voltados a pesquisa, com clientes acessando-as via nuvem.