
Evan Spiegel tenta vender óculos inteligentes de US$ 2.195 da Snap
A aposta de Spiegel nos óculos Specs
O CEO da Snap, Evan Spiegel, dobrou a aposta nos óculos inteligentes Specs, que chegam ao mercado em setembro por US$ 2.195 - um teste de sua visão para uma empresa que enfrenta dificuldades de lucratividade. Em uma entrevista à CNBC em junho, antes do lançamento, ele usou os óculos mesmo após um conselho interno para que apenas falasse sobre eles. Comentários nas redes sociais foram duros, comparando os óculos a "óculos 3D de cinema IMAX".
Spiegel vê os óculos como uma aposta de longo prazo: acha que smartglasses são melhores que celulares porque permitem interagir com o mundo físico e permanecer presente, em vez de desaparecer em telas pessoais. Ele já havia pedido à equipe de marketing, no ano anterior, que rebrandeasse a unidade de óculos como "Specs", com visual mais sofisticado, abandonando o amarelo da marca por uma paleta prateada, preta e branca.
Contexto de dificuldade
A Snap, de 15 anos, nunca teve um ano lucrativo. Suas ações caíram mais de 30% neste ano, e o aplicativo Snapchat perdeu nove milhões de usuários diários na América do Norte nos últimos três anos, com concorrência do TikTok e do Instagram, da Meta. Nos últimos 18 meses, saíram o conselho-geral, o CFO, o diretor criativo, o diretor de comunicações e o executivo sênior de realidade aumentada dos óculos.
Alguns líderes da empresa já manifestaram a Spiegel preocupação com o tempo que ele dedica aos óculos em relação ao Snapchat, principal fonte de receita. Um porta-voz da Snap, porém, destacou que a receita cresceu 19% em termos anuais no trimestre mais recente, com a empresa se aproximando de um bilhão de usuários ativos mensais, e que a entrevista ajudou a elevar o perfil dos Specs - os seguidores de Spiegel no X quadruplicaram.
Preparação e resistências
Spiegel designou cerca de 500 funcionários para a subsidiária criada para os Specs neste ano, dentro de uma empresa com 5.261 funcionários no fim de 2025. A Snap planejou captar financiamento externo para os Specs, mas o aporte nunca veio; a empresa diz que não precisa dele.
Em março, o investidor ativista Irenic Capital Management, que dizia ter cerca de 2,5% de participação, escreveu carta a Spiegel sugerindo corte de custos e o desligamento dos Specs se o projeto não se sustentasse. Semanas depois, a Snap demitiu cerca de 1.000 funcionários (16% do quadro), mas manteve os Specs como prioridade.
A campanha de lançamento incluiu celebridades como o jogador de NBA Jimmy Butler, o rapper Jack Harlow e a modelo Kaia Gerber, com outdoor em San Francisco.
Concorrência da Meta e ceticismo
Em junho, a Meta lançou seus próprios óculos inteligentes a partir de US$ 299 e anunciou colaboração com Kylie Jenner. O CTO Andrew Bosworth disse que a Meta "aprende" com as críticas que a Snap enfrenta em escolhas de peso e conforto.
Analistas como Ramon Llamas, da IDC, veem a aposta como calculada e preparada, com aquisições que deram à Snap a tecnologia por trás dos óculos - mas o desafio é convencer usuários a pagar cerca de US$ 2.200. Alguns analistas dizem que os óculos podem diversificar a empresa no longo prazo, mas é improvável que sejam um motor relevante de crescimento no curto prazo.
Ao reportar em agosto que o prejuízo trimestral diminuiu e a receita subiu, Spiegel disse que não espera que os Specs decolem entre consumidores antes do fim da década e que peso e custo precisam cair - reiterando, ainda assim, seu entusiasmo. O evento de lançamento será em Beverly Hills.