
Fluid, da Vercel, unifica camada de compute para 1 trilhão de requests/mês
Uma camada única de compute
A Vercel anunciou o Fluid, uma camada de compute que unifica em um único sistema os diferentes tipos de carga de trabalho que antes exigiam primitivas separadas: builds, funções e sandboxes. A tese é que, hoje, a velocidade de iteração de um produto depende de quão rápido se provisiona a máquina que a aplicação ou o agente precisa - e o Fluid tenta eliminar esse atrito, montando a máquina adequada a cada workload, trocando configuração em tempo real e absorvendo picos de demanda.
Segundo a empresa, o Fluid já opera em produção: mais de 15 milhões de builds por dia, 25 milhões de sandboxes por semana e 1 trilhão de requests por mês. Builds rodaram primeiro na plataforma, depois sandboxes e agora funções - ou seja, quem já faz deploy na Vercel já usa o Fluid, ainda que sem perceber.
Do hardware físico à nuvem
O texto traça uma evolução histórica: primeiro a máquina era trocada manualmente (comprar disco ou memória na loja), depois veio o aluguel de bare metal e, por fim, a nuvem, que permitiu solicitar máquinas em qualquer configuração e descartá-las após o uso. Para agentes, argumenta a Vercel, mesmo a nuvem é lenta demais: uma VM padrão não consegue provisionar na velocidade exigida pelo funcionamento deles - ponto onde o Fluid se destaca.
Como um workload roda no Fluid
Quando uma carga de trabalho chega, o Fluid monta uma máquina conforme seu formato. Um build é limitado por compute e pede uma máquina robusta, com muita CPU e memória. Uma função é limitada por IO e roda em uma VM pequena, pronta no instante em que a requisição chega. Uma sandbox é limitada por flexibilidade, aceitando a configuração que o trabalho exigir, com um Drive para dados do usuário.
O modelo de execução permite que muitas requisições rodem em uma mesma instância, em vez de cada uma criar a sua. Com o Active CPU pricing, o cliente paga por CPU apenas enquanto o código está trabalhando, não enquanto aguarda um banco de dados ou um modelo.
Os três componentes
O sistema se apoia em três peças. O Hive é o "hardware": infraestrutura própria da Vercel que provisiona as máquinas isoladas em que todo workload roda, escolhendo a máquina certa e mantendo isolamento multitenant em escala global, com uma única API de control-plane para todos os produtos. Fluid images é o ambiente: até agora o sistema operacional era fixo, definido pela nuvem; agora é possível enviar a própria imagem ao Vercel Container Registry e executá-la em sandboxes e funções. Em segundo plano, a Vercel converte as imagens para o formato VHS (Vercel Hive Snapshot), que permite retomar em vez de inicializar, deixando uma máquina customizada pronta em milissegundos - a mesma tecnologia por trás dos Sandbox Snapshots, e já usada pelo v0 para construir e rodar seus ambientes de desenvolvimento. Vercel Drives é o armazenamento: arquivos ficam em storage portátil e durável que acompanha o workload, não preso ao disco de uma máquina; é possível trocar o compute por baixo do Drive e retomar exatamente de onde parou. Os Drives estão disponíveis hoje para sandboxes, em beta privado, e devem se estender ao restante do Fluid.
Um sistema, não várias plataformas
Por haver uma única camada de compute sob todos os produtos, ganhos em tempo de boot, isolamento, escalonamento ou cache se propagam de uma vez para funções, sandboxes e builds, em vez de serem reconstruídos três vezes. A Vercel afirma que o Hive provisiona uma VM completa em milissegundos, com o estado do sistema de arquivos, oferecendo isolamento mais forte que o de um isolate ou contêiner, sem custo no tempo de inicialização.
O caso dos agentes resume a proposta: um agente executa código não confiável (exigindo fronteira de segurança), traz suas próprias ferramentas (exigindo ambiente próprio) e é criado e destruído constantemente (exigindo estado que sobreviva ao compute). A conclusão: por anos a máquina era fixa e o trabalho se adaptava a ela; no Fluid, descreve-se o trabalho e a máquina se forma em torno dele.