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Dois carros sem motorista frente a frente como peças de xadrez, disputa entre Waymo e Tesla Cybercab
Big Tech

Waymo ataca abordagem da Tesla às vésperas do lançamento do Cybercab

resumo de ~3 min

O ataque de Waymo antes do evento da Tesla

A uma semana do evento de 3 de setembro em que a Tesla deve apresentar oficialmente o Cybercab, a Waymo publicou um post de blog e deu entrevista ao Axios argumentando que veículos totalmente autônomos não são possíveis sem uma combinação de sensores e que sistemas de IA "puramente end-to-end" não são seguros o suficiente. Embora não tenha citado nomes, as críticas foram entendidas como investidas contra a Tesla e geraram uma disputa nas redes sociais que se estendeu pelo fim de semana.

Os argumentos técnicos

Srikanth Thirumalai, vice-presidente responsável pelo software de direção da Waymo, escreveu que "câmeras são incríveis, mas não são suficientes". Segundo ele, após mais de 200 milhões de milhas reais, os dados mostram que operações seguras e totalmente autônomas em escala exigem mais do que câmeras: a combinação de câmeras, lidar e radar cria uma visão de mundo redundante que nenhum sensor único replica. Ele também afirmou que uma arquitetura neural puramente end-to-end, que recebe pixels brutos e produz comandos de direção - a abordagem da Tesla - corre o risco de "falhas de caixa preta". Ao Axios, disse que mesmo os melhores modelos de IA com trilhões de parâmetros ainda alucinam, e que na IA física não existe reiniciar ou recarregar: é preciso lidar com as consequências.

As posições das duas empresas

A Waymo integra câmeras, radar e lidar em veículos de outros fabricantes. Essa abordagem mais conservadora permitiu à empresa escalar para cerca de 4.000 robotáxis em 14 cidades dos EUA, com 500.000 viagens pagas por semana; na terça, anunciou três novos mercados. Elon Musk há muito tempo critica o lidar, chamando-o de "muleta", e a Tesla aposta tudo em câmeras e IA. O Cybercab é um sedã dourado de dois assentos, sem volante nem pedais e com bateria relativamente pequena; um registro recente mostra a meta de produzir mais de 125.000 unidades por ano.

A Tesla ainda tem algo a provar

A Tesla está anos atrasada: Musk chegou a prometer 1 milhão de robotáxis nas ruas em 2020. Nos últimos anos, testou sua rede Robotaxi em algumas cidades do Texas e da Flórida usando Model Y modificados, com testes pequenos e alegação de priorizar segurança em vez de escala; só nas últimas semanas retirou monitores de segurança da maioria desses carros. A empresa começou a registrar Cybercabs no DMV do Texas antes do evento, e usuários avistaram dezenas deles em estacionamentos pelo país, mas não está claro quão rápido a frota será ampliada. Se a abordagem baseada em IA funcionar em escala, seria uma grande validação - mas a Tesla ainda precisará resolver os problemas operacionais de uma rede de robotáxis, que a própria Waymo segue descobrindo: clima severo, situações de emergência e segurança perto de escolas.

A disputa de custo

Há também uma batalha de custos. A abordagem da Waymo é naturalmente mais cara: usa mais sensores e os instala em veículos fabricados por terceiros, comprando esses carros e, no caso do Ojai, fabricado pela Zeekr, pagando impostos de importação antes mesmo de equipá-los. A Tesla fabrica os próprios carros e aposta que sua IA bastará com algumas câmeras. É uma aposta arriscada que a Waymo claramente acredita que não dará certo - mas, se vingar, permite à Tesla competir por preço com a Waymo ou talvez até com o Uber.