
Afiliados saem do fundo do funil e viram estratégia de growth
Affiliate deixa de ser canal de fundo de funil
A autora, refletindo sobre o Affiliate Summit East, argumenta que a suposição tradicional de que o marketing de afiliados serve apenas para capturar demanda já existente está ficando ultrapassada. O percurso do consumidor mudou: pessoas descobrem e pesquisam marcas por meio de ferramentas de IA, sites de comparação, Reddit, criadores e vídeos curtos antes mesmo de chegar ao site da marca. Muita da consideração acontece antes de a marca enxergar essa pessoa como tráfego.
Isso amplia o papel do afiliado: de capturar demanda no ponto de conversão para ajudar a criá-la. Consequentemente, mudam também onde as marcas investem, como times de criadores e afiliados colaboram e como se mede o valor dessas parcerias.
Presença na fase de consideração
Estratégias centradas em posições próximas à conversão ficam estreitas demais. Cupom e cashback ainda têm papel, mas são apenas parte de um ecossistema maior: publishers editoriais, sites de comparação, revisores e criadores influenciam a lista de marcas consideradas bem antes. As equipes de afiliados precisam entender onde os parceiros aparecem durante a consideração, não só imediatamente antes da conversão. A seleção de parceiros deve considerar presença nos locais onde clientes formam opinião, confiança do público e capacidade de influenciar a entrada da marca na consideração.
Confiança vale mais que alcance
Parceiros com grande alcance podem ter pouca influência sobre o que o público escolhe; outros, com público menor, são fontes ativamente procuradas por recomendações. Avaliar tudo por tráfego e venda de last-click esconde essa diferença. Em painel sobre confiança de publishers, argumentou-se que comunidades genuínas e apaixonadas podem superar concorrentes de maior tráfego com relações superficiais - e, em alguns casos, essa confiança pertence mais ao escritor individual do que à publicação. Nas sessões sobre criadores, defendeu-se adequação de audiência em vez de alcance, e que parcerias eficazes exigem dar liberdade aos criadores para manter a autenticidade que gerou a confiança.
Criadores e afiliados precisam se integrar
Muitas marcas dividem a mesma jornada entre times de criadores/PR (awareness) e afiliados (receita atribuível), com orçamentos e objetivos separados. O custo: orçamento duplicado, atribuição quebrada e relações fragmentadas. A alternativa proposta é uma estratégia única com medição que reconheça valor em todo o funil. O commerce nas próprias plataformas de criadores - vitrines compráveis, live commerce, lojas nativas - reduz a distância entre influência e transação e levanta novas questões de rastreamento, dados de clientes e propriedade da relação comercial. O criador que cria demanda e o afiliado que converte podem ser cada vez mais a mesma pessoa.
Medição precisa acompanhar o novo papel
O last-click funcionou para um afiliado que interceptava demanda perto da compra, mas diz pouco sobre parceiros cuja contribuição principal ocorre antes. Se parcerias de topo de funil forem avaliadas por um modelo de conversão de fundo, a estratégia será sistematicamente puxada de volta ao papel que se tenta superar. Nos debates do evento, publishers e parceiros buscam colaboração de dados com anunciantes para entender valor incremental, e quem construir essa infraestrutura compartilhada bem pode transformá-la em vantagem competitiva. Melhor medição permite investir com confiança em parceiros cujo valor aparece na descoberta, consideração e conversão.
Conclusão
Afiliado segue disciplina de performance, com prestação de contas comerciais como força. Mas limitá-lo ao fundo do funil limita o que as parcerias podem entregar. Uma das sessões defendeu explicitamente reposicionar o afiliado como catalisador de growth no mix de marketing, não um canal isolado disputando orçamento. A oportunidade é desenhar estratégias em torno de onde e como os parceiros influenciam clientes e criar estruturas e medição capazes de valorizar essa influência - dando ao afiliado o papel de ajudar a criar as condições que fazem o cliente escolher a marca.