
Onda de US$ 5 trilhões em dívida para data centers de IA nos EUA
Uma onda de crédito inédita
O investidor Tomasz Tunguz argumenta que a expansão da infraestrutura de IA nos Estados Unidos deixou de ser uma história de capital de risco ou lucros corporativos e se tornou um evento macroeconômico de crédito. Segundo estimativas de pesquisa de J.P. Morgan Asset Management, Western Asset e PIMCO, a capacidade de data centers nos EUA deve crescer de 25 gigawatts para 70 gigawatts em cinco anos, dentro de um investimento global de cerca de US$ 5 trilhões. Desses recursos, estima-se que US$ 4 trilhões serão emitidos como dívida pelos hyperscalers e operadores de data centers no mesmo período.
A escala comparada aos mercados de crédito
Para dimensionar o montante, o autor compara os US$ 4 trilhões aos principais mercados de dívida: a expansão equivale a 286% do mercado de commercial paper dos EUA, 143% do crédito privado global e 91% do mercado de municipal bonds americano, além de representar uma expansão de 34% do mercado de títulos corporativos dos EUA. Para contexto, o mercado de US$ 4,4 trilhões em municipal bonds financiou historicamente a infraestrutura física americana - estradas, pontes, sistemas de água e aeroportos - e o autor levanta a questão de municípios poderem usar esses instrumentos para financiar data centers, de forma análoga a usinas de energia.
Alavancagem típica de imóveis
Data centers são estruturados como projetos imobiliários, majoritariamente financiados por dívida: tipicamente 70% ou mais. Análises do professor Stijn Van Nieuwerburgh, da Columbia Business School, e da CREFC indicam que a alavancagem por instalação fica rotineiramente entre 65% e 75%, chegando a 90% em joint ventures sintéticas via SPVs, como o veículo Beignet da Meta - contra uma alavancagem corporativa tradicional de 40%.
A conta de receita necessária
Servir US$ 4 trilhões em dívida a taxas de mercado de 6,5% a 7,5% exige de US$ 260 bilhões a US$ 300 bilhões anuais só de juros. Com um índice de cobertura de juros de referência de 3x para papéis investment grade, a infraestrutura precisaria gerar de US$ 800 bilhões a US$ 900 bilhões em lucro operacional anual. Assumindo margens brutas de cloud e IA de 60% a 70%, isso implica receita anual de IA de US$ 1,2 trilhão a US$ 1,5 trilhão até 2030, somando software, tokens e automação corporativa.
Hoje, a receita anualizada de data centers de IA entre todos os provedores de cloud e labs de modelos é estimada em US$ 100 bilhões a US$ 200 bilhões, com base em divulgações até meados de 2026: Microsoft com run rate de IA acima de US$ 13 bilhões e AWS acima de US$ 50 bilhões, além do crescimento em Google Cloud, Oracle Cloud e labs de modelos. Para saltar de cerca de US$ 150 bilhões para US$ 1,35 trilhão seria necessário um CAGR de 55% em cinco anos - acima dos atuais 37% da AWS, 43% da Azure e 82% do Google Cloud, embora o crescimento esteja acelerando. Como referência, o mercado global de software corporativo soma cerca de US$ 1,4 trilhão hoje, diante de US$ 9 trilhões projetados em gasto mundial de TI em 2030.
Conclusão
A tese central é que o financiamento do boom de infraestrutura de IA rivalizará com as maiores expansões de dívida da história financeira, transformando o setor em um ciclo macroeconômico de crédito.