
Runway lança Solaris, modelo que gera apps frame a frame sem código
O lançamento
A Runway anunciou o Solaris, apresentado como o primeiro modelo de uma nova família chamada Interface World Models, em 31 de agosto de 2026. A proposta: em vez de o sistema operacional executar aplicativos fixos que precisam ser atualizados por desenvolvedores, o Solaris gera a interface em tempo real, quadro a quadro, enquanto a pessoa interage. Cada quadro é sintetizado em resposta às ações do usuário, sem código intermediário.
A tese contra a representação intermediária
Segundo a Runway, todo software atual exige uma tradução: o design visual precisa ser convertido em uma representação intermediária, como código, antes de funcionar. Essa conversão limita comportamentos - tudo precisa ser definido antes - e reduz a fidelidade visual. O Solaris elimina essa etapa ao gerar renderização e interação em conjunto, o que, para a empresa, remove perda de informação e amplia o espaço de interações possíveis.
Três capacidades novas
A empresa destaca três pontos. Primeiro, o modelo é inteiramente visual: a imagem é a própria aplicação, como em uma loja virtual em que o usuário pode arrastar uma roupa para experimentar usando uma foto de referência. Segundo, é "vivo": a interface evolui continuamente, com reflexos que mudam com a luz e objetos que respondem à manipulação, incluindo comandos como mudar a cor de um sofá. Terceiro, é aberto: comportamentos não precisam ter sido previstos por desenvolvedores, e as capacidades do modelo determinam o que é possível.
Treinamento de agentes
A Runway argumenta que o Solaris também serve para treinar agentes. Como modelos baseados em texto aprendem layouts específicos de interfaces codificadas, têm dificuldade em se adaptar a variações, como sites diferentes de hotéis. Como o Solaris gera interfaces em constante mudança, agentes poderiam treinar em ambientes dinâmicos e layouts inéditos.
Desafios de engenharia
Três barreiras explicam por que isso não existia antes: velocidade (interações deixam de parecer interativas perto de meio segundo de atraso, enquanto modelos de difusão de vídeo levam segundos ou minutos), coerência ao longo de sessões inteiras (texto, layout e identidade de objetos são justamente o que vídeos gerados historicamente falham em manter) e custo (gerar cada quadro é mais caro que servir uma página pronta, embora a empresa afirme que o Solaris é ordens de magnitude mais barato que difusão de vídeo padrão).
Como funciona
O Solaris se baseia no modelo de vídeo Gen-4.5 e segue o caminho do GWM-1, modelo geral de mundos. A entrada do usuário é tratada como condição para o próximo quadro, como texto ou imagem. Para rodar em tempo real, a empresa converteu o modelo em três etapas: geração autorregressiva de quadros, destilação das dezenas de etapas de remoção de ruído em poucas, e treinamento do modelo rápido sobre as próprias saídas para estabilizar a qualidade. Um modelo de linguagem separado faz o raciocínio: interpreta pedidos, decide se a interação modifica a cena ou transiciona para outra, e produz os comandos que guiam a renderização. Interações são descritas em linguagem natural, não programadas - clicar em um gato pode aplicar sua textura a outros objetos.
Evidências apresentadas
Para medir a perda da tradução, a Runway avaliou modelos multimodais de linguagem, incluindo o Claude Fable 5, recriando 30 interfaces a partir de capturas de tela, medindo similaridade estrutural (SSIM) e similaridade de regiões via DINOv3. A qualidade degrada conforme a complexidade visual aumenta. Em outra comparação, contra o Claude Opas 5 (Claude Opus 5), um estudo com 250 participantes e quase 7.500 julgamentos pareados em 30 exemplos mostrou preferência pelo Solaris em 61% versus 24% para seguir a instrução, e 71% versus 21% para comportamento natural.
Limitações
A Runway reconhece desafios: texto estável e legível em tempo real continua difícil (uma alternativa seria híbrida, com modelos de imagem para telas com muito texto); confiança, com o modelo ancorado no quadro inicial e contexto verificado como foco de pesquisa; sessões longas, ainda em investigação; e acessibilidade, pois interfaces geradas precisam funcionar com leitores de tela e APIs de acessibilidade.
Visão e disponibilidade
A empresa vê o Solaris como passo inicial rumo a uma nova camada operacional, na qual o aplicativo deixa de ser a unidade de interação, lojas virtuais se adaptam a cada visitante e tutoriais se ajustam ao progresso do usuário. O Solaris ainda não está aberto ao público: a Runway está trabalhando com parceiros-chave e coletando formulários para acesso antecipado.