
Férias anti-brainrot: desacelerar para pensar melhor
A sensação de um cérebro mais lento
O autor, engenheiro de software, relata que sua mente não é a mesma de alguns anos atrás. Nos primeiros meses da profissão, tudo era novo e mentalmente exigente - ele voltava para casa e ia direto para a cama, exausto por aprender tanto. Hoje está no extremo oposto: nada é tão novidade, e os problemas do dia a dia exigem mais tempo do que esforço intenso. Ele se considera mais produtivo, mas percebe pensamentos mais lentos, rasos e preguiçosos. Entre os fatores, cita o uso de IA e a dopamina disponível com um toque no celular: vídeos curtos que pedem pouco investimento de tempo e esforço, além de videogames, quadrinhos/mangás e séries - combinação que, segundo ele, elimina a capacidade de sentir tédio.
A leitura como medidor
Antes da universidade, ele devorava livros antes de dormir. Na graduação em História, lia mais de 1.200 páginas por semana para os cursos. Ao programar como hobby, somou documentação online e livros de Ciência da Computação. Com o primeiro emprego, sobrou cansaço, e a maior parte da leitura virou documentação de trabalho. Cerca de oito anos depois, ele admite ter lido pouco desde então e aponta o doomscrolling antes de dormir como distração incompatível com livros.
Hábitos recentes e férias lentas
No último ano, ele tentou novos hábitos contra o brainrot: escrita à mão, projetos paralelos e este blog. Houve melhora, mas suas habilidades de pensar e aprender seguem distantes do que eram oito anos atrás. Para as férias, escolheu desacelerar: visitou a família no interior, celebrou o aniversário da esposa em um fim de semana e o da sogra no seguinte, passou tempo na natureza com o cachorro (vendo, inclusive, cavalos enfrentar abutres que tentavam comer a placenta de um potro recém-nascido), socializou bebendo mate e jogou jogos de tabuleiro, futebol e Roblox com os sobrinhos.
Quatro livros em duas semanas
Levou para as férias SPQR, de Mary Beard, e "De Newton a Einstein y algo más", de Francisco Claro - ambos, segundo ele, muito recomendáveis. Terminou os dois na primeira semana e comprou outros: uma coletânea de contos de F. Scott Fitzgerald e Atomic Habits, concluídos no início da segunda semana. Nesse período, descobriu um hobby inesperado.
Matemática e física como hobby
As demonstrações matemáticas do livro de Claro deixaram-no querendo mais, e ele passou a estudar o Stewart's Calculus: Early Transcendentals. Percebeu deficiências em álgebra e trigonometria e recorreu ao apêndice do livro e a recursos do site do autor. Como ler pelo laptop ou celular era uma experiência ruim, pesquisou alternativas nativas para a web e escolheu Paul's Notes e Active Calculus; para física, usa o University Physics, sem alternativa web até o momento. O restante das férias foi dedicado a pré-cálculo e a exercícios. Ele compara a sensação à época em que começou a programar: aprender pelo prazer de aprender. Diferente de então, a motivação profissional não pesa: com IA, tudo ligado a carreira em Software Engineering e Data Engineering está mais nebuloso do que há oito anos, e ele sente que não pode planejar muito à frente. O objetivo declarado é, um dia, entender conceitos avançados de física e ler artigos novos de alguma área descoberta nesse hobby.
Funcionou?
Ele não sabe. Mas diz estar se divertindo e ter notado menos preguiça intelectual nas atividades do dia a dia.