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Lápis mais alto que uma sacola de compras sobre um gráfico de barras de tijolos, metáfora do setor de design britânico superando o varejo
Produto & Design · Trabalho & Gestão

Design supera varejo e vira setor de £ 136,7 bi no Reino Unido

resumo de ~3 min

Um setor maior que o varejo

O relatório Design Economy 2026, do Design Council, calcula que a economia do design do Reino Unido gerou £ 136,7 bilhões em valor agregado bruto (GVA) em 2023 - 5,5% do GVA britânico, ou cerca de £ 1 a cada £ 20 gerados no país. O setor supera o varejo (£ 114 bilhões) e é quase o dobro da acomodação e alimentação (£ 70 bilhões). Entre 2019 e 2023, o design cresceu 40%, quase o dobro dos 24% da economia britânica no mesmo período.

A mudança estrutural está em onde o design é exercido: dois terços do GVA do setor - £ 90,6 bilhões - vêm de designers fora de agências especializadas, em manufatura, saúde, engenharia e finanças. Cerca de 80% dos designers atuam em indústrias que não são de design, e o emprego nesses setores cresceu 20% entre 2020 e 2025, contra 6% nas indústrias tradicionais de design. A produtividade média foi de £ 60.704 por empregado em 2023, chegando a £ 96.200 no design de produto e industrial.

Mat Hunter, diretor-executivo do Design Council, diz que os números "deveriam mudar a forma como pensamos o design", que não é uma atividade criativa de nicho na borda da economia, mas uma capacidade de £ 136,7 bilhões embutida na inovação e na resolução de problemas complexos. Jane Geraghty, CEO global da Landor e da WPP Brand & Design e embaixadora do Design Council, afirma que marcas mais diferenciadas crescem mais rápido e que o design ajuda a impulsionar a economia.

Design digital e exportações

O design digital é o principal motor: £ 81 bilhões em GVA, alta de 50% desde 2019, 59% do total e 1,09 milhão de profissionais, quase metade da força de trabalho. Produto e industrial somam £ 21,6 bilhões (+33%), arquitetura £ 18,4 bilhões (+30%), multidisciplinar £ 6,6 bilhões (+23%), gráfico £ 3,2 bilhões (+14%), publicidade £ 2,9 bilhões (+33%), craft £ 2,6 bilhões (+8%) e vestuário £ 400 milhões (+45%).

As exportações de design chegaram a £ 88,2 bilhões em 2022, 10% de todas as exportações britânicas. Serviços de design somaram £ 71 bilhões, 17% das exportações de serviços do país e cerca de 77% do valor das exportações de serviços financeiros; só o digital respondeu por £ 50,4 bilhões. Geraint Edwards, da consultoria tangerine, aponta forte demanda internacional por expertise britânica em transporte e infraestrutura.

Regiões avançam além de Londres

Londres e o Sudeste concentram quase metade do GVA de design (£ 66,7 bilhões somados), mas o emprego cresce mais fora da capital. Entre 2020 e 2025, o emprego em design em Londres subiu 3%, contra 25% no East Midlands, 23% no Sudoeste, 22% no Nordeste e 20% no País de Gales. Desde 2019, o GVA cresceu 88% no País de Gales, 67% no Nordeste, 44% no Leste da Inglaterra, 39% no Noroeste e 32% na Escócia. O relatório identifica polos como design digital em Middlesbrough, produto e industrial em East Renfrewshire, craft em Stoke-on-Trent e Orkney e arquitetura no corredor do Sudoeste.

A professora Mariana Mazzucato, do UCL Institute for Innovation and Public Purpose, diz que o design não é apenas mais um setor produtivo, mas uma capacidade estratégica que molda produtos, serviços, tecnologias e lugares.

Gargalos de talento e diversidade

O relatório alerta que as inscrições no GCSE de Design e Tecnologia caíram 68% na década até 2024, ameaçando o pipeline de talentos. Na diversidade, mulheres são 25% da força de trabalho, caindo a 9% no design de produto e industrial; designers negros são 2%, contra 5% da população trabalhadora britânica; designers com deficiência são 16%, contra 18% no país. Alisha Morenike-Fisher, da Black Females in Architecture, diz que "talento existe em todo lugar, mas oportunidades não".

Cinco pedidos ao governo

O Design Council propõe cinco medidas: hubs regionais de crescimento liderados pelas Mayoral Strategic Authorities; design como capacidade de inovação na estratégia industrial, em P&D e nas compras públicas; financiamento de carreiras e um Design Council Learning Lab para formar designers em IA, design verde e pensamento sistêmico; apoio à exportação e à propriedade intelectual para PMEs; e um desafio nacional de design para a adoção de IA, demonstrando como o design centrado no humano pode orientar implantações éticas, sustentáveis e eficazes.