stamatios
← Voltar ao feed
Dois envelopes de pagamento idênticos com lápis e chave de boca são pesados na balança, metáfora da equiparação salarial entre design e engenharia
Trabalho & Gestão · Produto & Design

Designers que entregam produto deveriam ganhar como engenheiros

resumo de ~3 min

A tese

Em texto publicado na newsletter AI-First Designer, Felix Lee defende que designers que constroem e colocam produto no ar deveriam receber o mesmo que engenheiros. Ele apresenta a ideia não como provocação, mas como observação prática de quem acompanhou propostas de emprego "dos dois lados da mesa": empresas pagam pelo que é entregue.

Como o gap se formou

Durante muito tempo, o trabalho do designer terminava em um arquivo. A pessoa fazia o produto parecer certo, cuidava de detalhes que ninguém notava e repassava o material para que um engenheiro o transformasse em algo real. Como as empresas pagam pelo que é lançado, a engenharia ficou com a entrega e com a faixa salarial mais alta. Segundo o autor, não havia conspiração nisso: era apenas verdadeiro. O designer permanecia essencial, mas "adjacente" ao momento da verdade.

O que os números indicam

Citando dados americanos da Levels.fyi, Lee afirma que a mediana de remuneração total de um product designer fica em torno de US$ 170 mil, contra cerca de US$ 226 mil de um engenheiro de software - algo como um quarto a menos. O relatório de remuneração de 2025 da Levels mostraria ainda que a mediana do designer cresceu apenas cerca de 1,8% ao ano, enquanto o engenheiro de nível médio e sênior seguia compondo de forma mais acelerada. Na visão do autor, o mercado precifica o rótulo e nem sempre o trabalho. Já cargos chamados de design engineer, que desenham e entregam, aparecem com remuneração mais próxima da engenharia: uma vaga desse tipo na Ramp teria sido listada na faixa de US$ 172 mil a US$ 440 mil.

O que mudou

O design não precisa mais terminar em um arquivo. Lee diz conhecer designers que levam uma ideia do zero a um produto publicado sem abrir um documento de handoff - mesma funcionalidade, mesmo resultado, mesmo impacto - e ainda assim recebem de 20% a 40% menos em muitas propostas, porque o currículo foi arquivado em uma pasta chamada "design". Daí a formulação do autor: "você nunca foi pago menos por ser designer, foi pago menos por repassar". E: "a IA não tornou o bom gosto opcional. Tornou a espera opcional". O novo fluxo descrito vai de projetar o produto a construir uma versão funcional com IA em uma stack real, colocar um link ao vivo diante de alguém e iterar sobre algo que já existe: mesmo ofício, mesmo julgamento, economia diferente. Quem entrega apenas telas continua competindo no mercado antigo, construído em torno do handoff; quem entrega um link compete no mercado que paga pela entrega.

O custo pessoal

Há, segundo o texto, um custo mais silencioso. Quando o trabalho termina em um arquivo por tempo suficiente, a pessoa internaliza uma história menor sobre si mesma: fica excelente em processo, em explicar e em esperar com educação, e encolhe o próprio pedido porque aprendeu que design é trabalho preparatório. Trabalho preparatório recebe pagamento preparatório - mesmo quando quem está na sala já entregou o produto.

Como negociar

A recomendação é não entrar com um estudo de caso sobre o processo como evento principal, e sim com o link, deixando o interlocutor clicar e usar, e então perguntar qual é a faixa de engenharia de quem teria construído aquilo, porque foi esse o trabalho realizado. O título na proposta seria uma decisão de arquivamento; o número deveria seguir o que foi entregue. O autor sugere uma frase: "Eu desenhei e publiquei. Aqui está o produto ao vivo. Para este escopo, qual é a faixa de engenharia do IC que seria responsável pelo mesmo resultado?"

Para quem ainda não começou

Lee reconhece que "aprender a entregar" soou por muito tempo como "virar um engenheiro júnior disfarçado", abandonar o ofício ou recomeçar em uma sala onde a pessoa era competente. Ele diz que isso não precisa mais significar isso e promove a AI First Designer School, comunidade da ADPList para levar designers de mockup a produto ao vivo com IA, incluindo Vibe Coding em Cursor e Claude Code, Figma MCP e partes full-stack menos glamourosas (GitHub, Vercel, Supabase, autenticação e domínios). O acesso vitalício custa US$ 129 (US$ 10 por mês) e a comunidade teria cerca de 1,9 mil membros.

Reações

Nos comentários, o leitor Henry disse concordar com a mensagem, mas afirmou que o texto parece "slop de IA" e que frases de efeito como a da espera opcional denunciam isso de imediato: "o ponto está certo, a execução mata a confiança". Outro leitor, Patrick Neeman, escreveu que "não é um bom argumento agora".