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Tela de smartphone racha como copo de papel descartável jogado no lixo, metáfora da crise de retenção de apps feitos com IA
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IA cria crise de retenção: apps baratos viram conteúdo descartável

resumo de ~3 min

Trabalho verificável, consumo adversarial

Boa parte do trabalho é burocracia: formulários, processos, atualizações, revisão de código padronizado. A IA comprime essas etapas, que são fáceis mas cheias de passos e de dados a costurar - e seguir padrões é o que ela faz bem. A divisão proposta é entre tarefas verificáveis e adversariais: a IA é excelente em resultados verificáveis, o que explica os avanços em programação, provas matemáticas e produtividade no trabalho. Produtos de consumo prosperam no terreno da novidade, considerada inerentemente adversarial.

Atenção, autenticidade e "criatividade adversarial"

Pessoas buscam novidade, procuram relações parassociais e reconhecem com facilidade o "slop" de IA. Um vídeo de alguém atraente falando perde a capacidade de gerar vínculo parassocial; onde a autenticidade é decisiva, como em redes sociais e vídeo, uma placa de IA distorcida ao fundo pode arruinar tudo. A novidade nasce de surfar a onda cultural com algo novo e único, e o "slop" tende a reproduzir o passado - que é o que está no conjunto de dados.

Isso vale também para atividades adversariais dos negócios, como vendas e marketing, onde a IA sofre mais críticas por gerar "slop": ninguém quer e-mails frios que soam iguais nem software com essa cara, e acertar a mensagem exige ir além do modelo. Como o marketing passou a ser dominado por redes sociais marcadas pela velocidade, cujo ciclo de decisão gira mais rápido que o da mídia tradicional, o feed substituiu o jornal matinal - e um meme ou demonstração técnica pode ser incrível numa semana, como os avatares no estilo Studio Ghibli, e obsoleto na seguinte.

A crise de retenção

Apps podem virar extensão do "conteúdo" da internet: como se grava um vídeo rápido ou se digitam 200 caracteres, seria possível digitar um prompt que constrói um app e publicar capturas e vídeos para atrair gente. Não se fala em retenção de conteúdo porque ela não existe: há um pico, 15 minutos de fama e a necessidade do próximo post. O "app poasting" seguiria a mesma lógica - quantidade sobre qualidade, o pico aproveitado por um sistema de gerar sucessos, com marca e IP acumulados ao longo do tempo. Resta saber quem será o "Mr Beast dos apps", quando criar um app pode levar o mesmo tempo que editar um vídeo.

A consequência apontada é o colapso da retenção média, com D30 acima de 20% virando sonho. Talvez a métrica mude para quantos apps alcançam quantos olhos. Com sorte, dá para montar um YouTube em vez de ser apenas criador de vídeo - ambos lucrativos.

Marketing de soma zero e os quatro empregos

O futuro do marketing, e por extensão de boa parte do produto, seria de soma zero, jogador contra jogador: apps, vídeos, podcasts, criadores e experiências em abundância fazem a oferta superar infinitamente a demanda. Vencer exige estar um pouco à frente do ciclo, destilar o zeitgeist e agir rápido - nem tanto a ponto de soar aleatório, nem tão devagar a ponto de virar notícia de ontem. Isso já apareceria na operação 24 horas por dia de vídeos e lançamentos, com feeds saturados de startups de IA lançando e relançando.

O custo também pode se deslocar. Na visão atribuída a Yoni Rechtman de que haverá apenas quatro tipos de trabalho: o engenheiro de produto/vibe coder/PM/"slop cannon", generalista veloz e intensivo em ferramentas; SREs, infraestrutura, segurança e sistemas, que costuram e estabilizam o que for produzido; "adultos", freio de uma organização em aceleração; e "pessoas atraentes", em vendas, pessoas e atendimento, cujo trabalho presencial é caro e sugere um formato de halteres.

A criatividade adversarial pode ser automatizada?

A resposta é incerta. A novidade é adversarial contra o próprio conjunto de dados: o que é novo é o que não está no treino recente, e ser original é um ato adversarial contra o prior do modelo - e não é verificável. A IA não funcionaria assim hoje, mas talvez gere ideias para alguém com mais presciência e tato cultural editar. O risco da automação é que a confiança parassocial se quebra num segundo: quando conteúdo, marketing ou mensagem parecem de IA, o vínculo desaparece. Não dá para ir direto ao público copiando e colando a IA.

Nos comentários, um leitor observa que as pessoas também querem ser únicas, não apenas ver novidade, e que evitarão a todo custo a convergência de todos e de tudo.