
Shopify volta apps mobile para Swift e Kotlin com apoio de agentes de código
A mudança
A Shopify decidiu reconstruir seus principais apps móveis em Swift e Kotlin, em vez de seguir com o React Native adotado em 2020. A empresa diz que a aposta anterior foi extremamente bem-sucedida: evitou construir recursos duas vezes, permitiu que desenvolvedores sem experiência mobile contribuíssem e reduziu a perseguição por paridade. Em janeiro de 2025, ainda defendia investir no React Native; isso era verdade com o que se sabia então.
O que mudou foi o avanço dramático dos modelos de código. Para seus apps e sua equipe, construir o mesmo recurso em Swift e Kotlin deixou de ter o custo de antes. A empresa reavalia decisões quando uma premissa central muda; LLMs alteraram uma premissa da escolha de 2020.
Por que voltar ao nativo
A Shopify prototipou a reconstrução de partes centrais de seus maiores apps em Swift e Kotlin com LLMs e disse ter se surpreendido. Agentes conseguiam implementar um recurso no Android usando a versão iOS como referência, e vice-versa; ajudavam desenvolvedores a contribuir fora de sua stack principal; e reduziam o custo de manter paridade com especificações, testes e revisão compartilhados. O custo de manter software em duas plataformas não desapareceu, mas a empresa afirma que agentes agora fazem implementação, tradução, testes e revisão suficientes para que ele deixe de ser o fator decisivo que era em 2020. A empresa reconhece que apps React Native podem ser rápidos, mas diz que agentes reduziram a vantagem de compartilhar implementação; o nativo a aproxima dos recursos e do ferramental first-party.
Bibliotecas
A Shopify continuará patrocinando o React Native Skia até o fim de 2026; William Candillon seguirá no projeto, fará um fork e publicará a biblioteca sob novo nome. O FlashList, com cerca de 2 milhões de downloads por semana, continuará recebendo correções críticas enquanto a empresa negocia a responsabilidade de longo prazo. O Restyle será arquivado e deixará de ser mantido após 2026.
Migração e Helix
A Shopify debateu migração gradual (brownfield) versus reconstrução do zero (greenfield). Greenfield venceu: LLMs são bons em construir recursos em Swift e Kotlin usando a versão React Native como referência; a reconstrução permite um começo limpo; e protótipos mostraram que os apps poderiam ser reconstruídos bem mais rápido do que antes dos agentes. O Shop foi o primeiro: com assistência de IA, foi de prova de conceito a app nativo publicado nas lojas em 12 semanas. O app Shopify, o maior, com mais de 300 telas, widgets e Apple Watch, está em migração e deve ser lançado ainda este ano. Os demais virão depois.
Para evitar slop, a Shopify criou o Helix, que não espera acerto na primeira tentativa. O desenvolvedor aponta o Helix para uma tela; ele lê o código React Native e propõe checkpoints pequenos e ordenados. Cada checkpoint precisa provar comportamento com testes, corresponder ao app em revisão visual, passar por dois revisores de código adversariais e receber aprovação humana antes do commit. O feedback é lembrado, tornando o loop mais autônomo.
A empresa também ataca o gargalo de controle de simuladores. Agentes mudam código em segundos, mas testar podia levar minutos por depender da árvore de acessibilidade ou de capturas de tela. A Shopify desacopla a lógica de negócio da interface para rodá-la headlessly no desktop e expô-la a agentes via CLI, permitindo iteração em milissegundos sem simuladores. Quando necessário, a CLI se conecta a simuladores em modo remoto para dirigir a UI.
Próximos passos
A Shopify diz que vai migrar todos os apps móveis para Swift e Kotlin usando IA durante o processo, sem baixar a régua: cada reconstrução deve igualar ou superar desempenho, estabilidade, acessibilidade e qualidade. Não são os mesmos apps reescritos em outra linguagem, mas apps reconstruídos para que humanos e agentes entendam, testem e alterem rapidamente. O sucesso será medido por velocidade de produto, qualidade dos apps e trabalho autônomo dos agentes.