
Claude Fable 5.1 decifra criptograma de duas linhas de 32 números
O problema
A Vals AI relata que deu ao Claude Fable 5.1 uma tarefa aberta: resolver o Cyphral Distich, criptograma de Sir Thomas Urquhart formado por duas linhas de 32 números cada. O texto fica no fim de Logopandecteision, de 1653. O enigma resistiu por cerca de 370 anos: foi proposto como problema aberto na Notes and Queries em 1899, reapareceu na literatura criptográfica do século 20 e entrou na lista Top 50 de mensagens cifradas não resolvidas do pesquisador Klaus Schmeh. Tentativas anteriores usaram análise de frequência, substituição e substituição homofônica, sem sucesso.
A solução
Segundo o relato, Fable 5.1 chegou à solução em 44 minutos, com 176 mil tokens e sem intervenções humanas. Duas percepções centrais destravaram o problema. Primeiro, o criptograma aparece logo depois das 32 Proquiritations de Urquhart, número que ele enfatiza. Segundo, o poema que acompanha a cifra promete que um leitor honesto encontrará nele os desejos do próprio coração e a mente do autor; as Proquiritations terminam repetidamente com fórmulas como é o desejo, desejo ou esperança. A chave não era um alfabeto externo, mas o próprio livro: para o i-ésimo número de uma linha, vá à i-ésima Proquiritations, use o número como índice de palavra e tome a primeira letra. O resultado é: O GOD UPHOLD KING CHARLS THE SECOND AND MAKE HIM THE SUPREME RULER OF THIS LAND A solução se autoverifica: cada linha tem exatamente 32 letras, termina em and/land, forma um dístico rimado e é coerente com o realismo de Urquhart.
O segundo criptograma
Urquhart deixou outro criptograma maior no mesmo estilo, o Cyphral Octastich, em The Jewel, de 1652: 285 números em vez de 64. Fable 5.1 também o decifrou, segundo o relato, com todas as letras menos nove. A regra é semelhante: o k-ésimo número indexa a página k do livro e a primeira letra da palavra correspondente é extraída. O texto é uma oração realista em ottava rima, com esquema ABABABCC, escrita em Londres em março de 1652. O relato lista ressalvas: a linha 4 traz I-R-S-H para IRISH, um possível lapso ou contração; a linha 5, nas letras 4 a 12, produz C-O-N-E-R-T-H-T-O, trecho não legível, atribuído a erro de Urquhart ou a números mal impressos; a partir da posição 159, cada número aponta para a página k−1, sugerindo uma página usada duas vezes ou uma duplicação na impressão. Não há imagens livres das páginas da edição de 1652 de The Jewel, e confirmar as posições ±1 e as nove letras exigiria uma cópia física ou a edição de 1983.
Como foi obtido e o que isso indica
O autor do experimento diz que tentava havia meses fazer modelos resolverem um criptograma importante e ainda não solucionado. Nenhum outro modelo de fronteira testado teria produzido uma solução verificada. Para eliciar Fable 5.1, ele deu o objetivo, encorajamento, pediu que olhasse exemplos de feitos matemáticos do modelo e insistiu em criatividade e análise. Duas restrições foram impostas: evitar cifras já resolvidas ou que aceitassem muitas respostas plausíveis, e evitar os problemas mais difíceis, como o Kryptos K4. Fable 5.1 teria escolhido o problema, sabido quando parar e notado a pista quase imediatamente.
O relato afirma que outros modelos de fronteira não necessariamente falhariam, porque a pista é muito simples; o destaque de Fable 5.1 teria sido reconhecer que aquele problema era incomumente tratável. A conclusão é que modelos podem resolver não só problemas matemáticos, mas também mistérios históricos, conjecturas esquecidas e quebra-cabeças de arquivo. Muitos desses problemas eram limitados pela atenção humana, alguém precisava passar horas ou dias lendo material obscuro e testando ideias improváveis. Esse gargalo, diz o relato, parece estar desaparecendo. E o feito não veio de criptoanálise extraordinária: a resposta era simples em retrospecto, e o modelo apenas continuou procurando.