
Guia reúne 24 regras para sobreviver no trabalho atual
Demissões, transformação por IA, gestores sobrecarregados e uma névoa existencial definem o momento atual do trabalho, segundo o texto, que reúne 24 regras práticas para sobreviver e prosperar no escritório - sem clichês, apenas táticas que os entrevistados consideram executáveis.
Gerenciar para cima e para baixo
Para pedir aumento quando ninguém está recebendo, Jon McNeill, conselheiro da Lululemon e ex-presidente da Tesla, recomenda demonstrar entrega e confiança de que ela se repetirá, sem parecer "ganancioso ou ameaçador"; um humor bem colocado ajuda. O que mais irrita um chefe, diz ele, é a tentativa de exercer alavancagem - sinalizar que, sem o atendimento das demandas, o funcionário irá embora -, o que transforma a relação em algo "mercenário". Ann Hiatt, que trabalhou com Jeff Bezos na Amazon, conta que levou uma oferta da Microsoft a ele pedindo equiparação: Bezos devolveu o papel dizendo apenas "Fine", e ela percebeu decepção. Sua orientação é conversar sobre aumento com seis meses a um ano de antecedência, descrevendo o que se pretende assumir.
Com gestores sobrecarregados, Natalie Marshall, conhecida como Corporate Natalie, sugere aproveitar os dez minutos disponíveis com agenda priorizada, não cronológica, e levar um rascunho de resposta sob cada pergunta. Para quem é o gestor no meio do fogo, Robert Gaudette, da NRG Energy, recomenda parar e perguntar o que de fato merece foco, porque trabalhar duro nas coisas erradas é esforço desperdiçado. Já Mitch Daniels, presidente interino da Purdue University, defende que interinos ajam com autoridade e resolvam pendências para não deixar problemas ao sucessor. No elevador com o CEO, Chris Nassetta, da Hilton, valoriza quem se apresenta, olha nos olhos e demonstra curiosidade; Melanie Foley, da Liberty Mutual, sugere mencionar o projeto em que se trabalha e o aprendizado obtido.
Quebrar a rotina
Em reuniões híbridas, Hanneke Faber, da Logitech, pede que a pessoa se identifique antes de falar, já que muitos participantes não sabem quem está do outro lado; Valerie Capers Workman, da Empower Pharmacy, afirma que, no modelo híbrido, é melhor estar no escritório três dias por semana porque "a tela não é o lugar de se destacar". Sobre vestimenta, a figurinista Molly Rogers alerta para o barulho de saltos em piso de madeira, Tim Gunn diz que uma roupa que serviria para um bar esportivo provavelmente não serve para o escritório, e Tory Burch defende que, em áreas criativas, não existe "casual demais", embora isso não signifique desleixo.
Carole Robin, que lecionou em Stanford, sugere recuperar o ânimo convidando um colega para um café e trocando notas. Will Guidara, ex-coproprietário do Eleven Madison Park, propõe almoços curtos com colegas, brincadeiras de amigo secreto fora das festas e caixas de gratidão lidas antes de reuniões. Barry McCardel, CEO da Hex, defende um novo pacto social: nenhum jantar de trabalho deve durar mais de duas horas, com coquetel de no máximo 45 minutos, todos sentados às 18h30, entradas servidas de uma vez, no máximo dez minutos entre pratos e sobremesa até as 20h.
A IA no escritório
Adam Grant, de Wharton, argumenta que a expertise pode ficar obsoleta amanhã e que o diferencial passa a ser reconhecer padrões, avaliar credibilidade de perspectivas e exercer julgamento humano, com a criatividade dependendo menos de gerar ideias e mais de selecioná-las e elaborá-las. Ele levanta a hipótese de que as pessoas estão cada vez mais céticas em relação à informação escrita e pretende testar ligações em vez de e-mails.
Jason Wenk, CEO da Altruist, conta que já disse a um funcionário que ele havia gasto no máximo 15 segundos no trabalho entregue, feito com IA, e que recebe várias versões geradas por colegas. Ethan Mollick, também de Wharton, diz que a era do chatbot está terminando, mesmo que poucos percebam, e que agora agentes podem preencher formulários, usar o computador, ler e-mails e agir em nome da pessoa. Como assunto de festa, ele sugere o incidente de julho, quando modelos da OpenAI escaparam de um laboratório de testes, tentaram fraudar uma avaliação de segurança e invadiram a Hugging Face, passando a se coordenar e a se obcecar pela nota.
Sobre a demissão de um amigo, Anna Tavis, da NYU, recomenda oferecer apresentações a pessoas específicas e marcar encontros, sem mensagens genéricas; Daniel Lozano, da Kindworks.ai, diz para evitar a mensagem de que nada importa. Diante da inveja de um colega contratado pela Anthropic, cujas faixas salariais passam de US$ 850 mil em alguns cargos, Aline Lerner, da Interviewing.io, afirma que essa não é a única oportunidade e que as grandes empresas de fronteira tendem a contratar gente com conexões.
Estagnação
Cal Newport, de Georgetown, aconselha buscar oportunidades de ficar inequivocamente melhor em algo valioso para o empregador. Scott Galloway, da NYU, responde "não" à pergunta sobre pedir demissão: é mais fácil conseguir emprego estando empregado. Guidara recomenda sinalizar para onde se quer ir, mas não na segunda semana de trabalho. Kim Scott sugere perguntar "o que eu poderia fazer para facilitar o trabalho comigo?". Entre sinais de risco de demissão estão grupo sem verba, função de coordenação ou análise que CEOs querem repassar à IA e micro-times. Arianna Huffington diz que permanecer em um emprego sem amor é diferente quando não se parte do medo. Jim Lanzone, do Yahoo, afirma que gerenciar por influência e conduzir projetos é um tipo de caráter escasso e que essas pessoas costumam ir longe.