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Pessoa gesticulando para uma tela enquanto mãos de robô digitam, metáfora do futuro sem digitar código
Dev & Engenharia · Trabalho & Gestão

O futuro terá mais software e ninguém digitando código

resumo de ~3 min

Laurie Voss argumenta que o custo de escrever software colapsou e que, nos próximos dez anos, o trabalho de desenvolvimento será cada vez menos digitar código e cada vez mais descobrir o que construir, definir o que é bom e tornar o produto agradável. A previsão se apoia em duas premissas declaradas: agentes vão absorver todo o ciclo de vida de desenvolvimento e não há teto para a quantidade de software de que precisamos.

O que colapsa no ciclo

Voss divide o custo de fazer software em blocos. Escrever código já colapsou. Revisar e manter código está a caminho: em benchmarks de correção de bugs reais, modelos de fronteira passaram de cerca de 50% para cerca de 95% em dois anos. Um estudo de 567 pull requests do Claude Code em 157 projetos de código aberto achou 84% de merge, ante 91% dos humanos. O agente Big Sleep, do Google, encontrou uma falha no SQLite que fuzzers tradicionais não pegaram.

Criar código sem revisá-lo, porém, gera dor. O GitHub ganhou 36 milhões de desenvolvedores em um ano; pull requests mesclados subiram cerca de três vezes e meia desde 2023. Um estudo de 33 mil PRs de agentes descobriu que a maioria não recebe revisão registrada e que, quando PRs de agente são revisados, em 58% das vezes o único revisor é outro agente. O curl encerrou seu programa de recompensas em janeiro depois que a fatia de relatórios que eram bugs reais caiu de mais de 15% para menos de 5%. Operação e escala seriam os próximos, mas os dados são escassos: em benchmarks de operar sistemas, agentes ficam abaixo de 65%.

O que sobra

Decidir o que construir, definir bom e fazer algo agradável seriam as partes mais duráveis. Descobrir o que o cliente quer não pode ser mecanizado nem extraído do modelo, porque não está nos dados de treino - está na cabeça de uma pessoa específica, como a dona de uma padaria que nunca escreveu o que precisa. Esse custo é por produto e não se transfere: duas padarias não têm o mesmo problema. Sem economia de escala nessa camada, o gargalo se desloca para a descrição do problema e ali permanece.

Voss situa o job emergente numa linhagem: do analista de sistemas dos anos 1960 ao product manager, agora um papel que ele chama de engenheiro de produto. A Palantir cunhou forward deployed engineer; as vagas cresceram cerca de 800% em nove meses em 2025, e um censo contou quase mil postos abertos em 462 empresas. A remuneração média total é de cerca de US$ 240 mil, com seniores acima de US$ 600 mil. O papel também aparece sob nomes como solutions engineer e applied AI engineer.

O problema é que ninguém forma essas pessoas. O programa APM do Google seleciona cerca de cinquenta pessoas por ano entre cerca de doze mil candidatos; Meta, Uber, LinkedIn e Salesforce mantêm equivalentes de tamanho similar. O pipeline antigo - júnior escreve código, sênior revisa, o júnior absorve julgamento em uma década - está quebrado. Dados citados mostram contratação de entrada 65% menor nas big techs desde 2019 e 75% menor em startups early-stage, enquanto engenharia subiu de 46% para 55% da contratação.

A perda e a previsão

Voss chama de tragédia real o fim do craft de programação como trabalho remunerado: muita gente entrou na área pelo prazer da abstração limpa e do bug que finalmente cede, e não quer entrevistar padarias. O craft sobrevive, diz, como o trabalho em madeira sobreviveu à fábrica de móveis: feito por amor, às vezes com prêmio. A previsão é de dez anos difíceis, com a carga chegando antes das ferramentas e a escada de entrada sumindo antes do substituto. Depois, espera uma profissão maior e com formato de engenharia de produto. Em vinte anos, diz não saber, mas se houver algo perto de inteligência geral o texto fica obsoleto.