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Lápis de designer se transforma em orbe brilhante durante esboço, transição do UX tradicional para AI UX
Produto & Design

Designers migram do UX tradicional para o AI UX com foco em confiança

resumo de ~3 min

A designer explicando a própria transição

Dolly Borade Solanki, designer de UI/UX com mais de dez anos de experiência, relata no Medium sua migração do UX tradicional para o AI UX. Ela parte de um dado de pesquisa: segundo uma enquete de 2026 da Designlab, cerca de 67% dos designers já exploram recursos de IA em produtos, mas uma parcela bem menor diz que projetar funcionalidades de IA já é parte frequente ou central do seu papel. Para ela, a diferença entre usar IA e projetar experiências de IA é justamente onde está a oportunidade profissional.

O que é AI UX

AI UX, no texto, não é simplesmente adicionar um chatbot a um produto existente, e sim projetar a interação entre humanos e sistemas inteligentes. O UX tradicional lida com experiências relativamente previsíveis, como clicar em "adicionar ao carrinho" e ver uma confirmação. Já numa experiência de IA, um usuário pode pedir, por exemplo, um laptop abaixo de ₹80.000 voltado para design e com pelo menos 16 GB de RAM - e o sistema precisa interpretar a intenção, cruzar requisitos, recomendar, explicar e se adaptar quando o usuário muda de ideia. Isso exige pensar em comportamento, contexto, confiança, incerteza, feedback e controle.

De telas para comportamentos

O maior mudança de mentalidade que ela descreve é passar de telas (página inicial → painel → formulário → confirmação) para comportamentos: o que a IA deve fazer quando o pedido é ambíguo, quando não sabe a resposta, quando erra, quando o usuário discorda da recomendação ou quando está prestes a executar uma ação importante. Para ela, esses não são problemas apenas de design visual, mas de design de experiência.

O que aproveita e o que precisa aprender

Ela lista habilidades que continuam valiosas: pesquisa com usuários, arquitetura de informação, design de interação, fluxos (agora incluindo caminhos guiados por IA e casos-limite), testes de usabilidade, design visual e pensamento de produto - este último com destaque, pois nem todo problema precisa de IA, e cabe ao designer identificar onde a IA melhora de fato a experiência ou só adiciona complexidade.

Entre as habilidades novas, ela cita fundamentos de IA (LLMs, IA generativa, agentes, contexto, alucinações, limitações e incerteza dos modelos), UX conversacional (prompting, fluxos de conversa, perguntas de esclarecimento, retenção de contexto), design de interações de IA (estados de geração, respostas em streaming, regeneração, edição de saídas, fluxos de aprovação) e confiança e transparência: o usuário precisa entender o que a IA fez, por quê, se pode mudar e o que acontece se estiver errado.

Processo e aprendizado com produtos existentes

Seu fluxo ganha uma etapa nova antes da interface: definir o comportamento da IA - o que ela deve e não deve fazer, quando pedir esclarecimento, quando agir, como comunicar incerteza e quando o humano assume. Ela estuda produtos como ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e Notion AI analisando onboarding, prompting, feedback, personalização, erros, confiança e controle do usuário.

Projetos e limites

Ela planeja quatro projetos de portfólio: um planejador de viagens com IA (o desafio é refinar recomendações sem recomeçar do zero), um assistente de compras (evitar que as recomendações pareçam uma caixa-preta), um copiloto de produtividade e um assistente de design para designers. O princípio que repete é: "a IA sugere. Humanos decidem". Ela também lista o que não quer fazer: usar IA por modismo, substituir pesquisa com usuários por suposições da IA ou assumir que saída gerada automaticamente é bom design.

Roadmap e conclusão

A transição segue um plano de seis meses em fases: entender fundamentos, experimentar como designer, criar conceitos, testar com usuários, documentar e transformar em projetos reais. Ela vê o papel do designer se expandindo de interface para experiência, interação com IA e produto de IA, com oportunidades em design de produtos de IA, UX conversacional, experiências de agentes, sistemas de design para IA e estratégia. A conclusão é que não está abandonando o UI/UX, mas expandindo-o: o futuro do UX pode ser menos projetar telas e mais projetar como humanos e sistemas inteligentes trabalham juntos.