Designer passou um ano desenhando à mão os mais de 600 ícones do Cursor
O projeto
Marek Minor, fundador do estúdio Minor Adventures em Amsterdã, passou um ano desenhando à mão o conjunto completo de ícones do Cursor: mais de 600 ícones, em dois tamanhos e dois estilos, substituindo os Codicons herdados do VS Code. Em uma entrevista a Jan Haaland, do Case Study Club, ele detalha o processo, o papel da IA no fluxo de trabalho e a relação de autonomia com o cliente.
Desenhar conceitos sem convenção visual
O desafio central era criar ícones para conceitos sem representação consolidada no setor, como agentes, tab completion, MCP e trabalho em segundo plano. O método de Minor começa por entender o que o conceito realmente é: ele pesquisa como outras ferramentas o representaram e busca o que chama de "attractor" - a alma do objeto, a forma para a qual um conceito tende a convergir. Quando não há convenção estabelecida, não há attractor, e o trabalho vira exploração: versões literais e abstratas são postas lado a lado até algumas se destacarem. Curiosamente, ele diz que os conceitos novos não foram os difíceis - desenhar algo inédito é a parte divertida. Seu ícone favorito foi o do Bugbot, que funciona em vários níveis: lê como um inseto, mas também como uma mira e uma barra, com as pernas dobrando como a barra.
Quando um ícone está pronto
Sobre o processo de iteração - ele cita 156 explorações de um ícone de hambúrguer - Minor atribui a decisão de parar à intuição, definida como a capacidade de pular etapas após muita repetição. O ritmo não fica mais rápido do esperado: alguns ícones levam minutos, outros dias ou semanas, e às vezes é preciso passar por 50 ou 100 versões no canvas. O que acelera é tudo o que vem depois de travar a direção visual: com as regras do sistema definidas, cada ícone novo levanta menos dúvidas.
Trabalho com o Cursor
Minor trabalhou principalmente com Ryo, Head of Design do Cursor, e sua equipe. O feedback foi intenso no início, na definição do estilo, e diminuiu conforme o sistema amadurecia, com confiança desde o começo. Ele explora em arquivos privados, mas compartilha o progresso diário e grava vídeos a cada poucos dias para acompanhamento assíncrono. Uma direção que ele gostaria de ter levado adiante - traços com pontas retas mantendo as curvas grandes arredondadas - não decolou porque não resolvia um problema real do cliente, e o conjunto ficou com traços arredondados. Ele descreve a autonomia como praticamente total, mas como decisões tomadas em conjunto, em papel quase consultivo. Para cada cliente, ele entrega também um site complementar com o conjunto documentado; no caso do Cursor, incluiu um painel de migração e plugins de Figma.
Onde a IA entra (e onde não entra)
A IA ajudou no raciocínio e na construção de ferramentas, mas o desenho foi todo manual. Ele usa modelos para explorar metáforas e conceitos adjacentes quando trava, e construiu com IA o site complementar, plugins de Figma e um protótipo dos loaders animados pixelados do agente - descrevendo o que queria em palavras, "dirigindo em vez de montar". Ele se vê como um maestro: o objetivo não é que a IA faça o trabalho, mas orquestrar, o que permitiu a um designer solo fazer coisas que sozinho não faria ou não faria tão rápido. Já pedir a um modelo para desenhar os ícones não funciona: o processo é recursivo, e os detalhes frequentemente forçam a reconsiderar o ícone inteiro. Além do formato, há semântica, cultura e conceitos específicos de cada cliente - comunicação, portanto, humana.
Propriedade contínua
Sobre quem é dono do sistema agora, Minor diz que não o entregou de fato: o projeto nunca teve um fim claro. Ele segue em contato com a equipe, adicionando ícones conforme novos conceitos surgem e continuando como guardião das decisões visuais.